Quem escreve passa por momentos difíceis algumas vezes. Isso
porque não é sempre que você está inspirado para sentar e deixar as palavras saírem
de uma maneira lírica. Eu mesmo tenho passado por apuros para escrever resenhas
musicais, não sinto que estou conseguindo passar o que eu realmente senti ao
ouvir o álbum/música que me dedico a escrever sobre. E o que é uma crítica se
não a declaração sincera de um coração que foi tocado por alguma obra?
Dito tudo isso eu andei refletindo e percebi que deveria
deixar as coisas fluírem de maneira mais simples, exatamente como eu faço com
meus demais textos. Então vamos tentar fazer tudo de maneira diferente a partir
de agora. Neste momento estou aqui sentado na minha cama escutando o álbum novo
do SILVA pela segunda vez e resolvi contar como está sendo essa experiência.
Antes de começar eu preciso explicar o que eu sei sobre o
SILVA: ele é um cara muito talentoso do Espírito Santo que faz parte dessa nova
vibe da MPB. O único álbum que eu ouvi dele até hoje foi o antecessor “Claridão”.
O que eu mais curti nessa vibe das músicas que ele faz é que não segue aquele
padrão da MPB (banquinho e violão). Ele coloca vários elementos de bandas que
eu gosto bastante o que me faz pensar que ele está mais para “indie brasileiro”
do que MPB em si.
Esse novo álbum se chama “Vista pro Mar” e soa completamente
diferente do “Claridão” que era mais animado e dançante. Aqui tomou espaço as
batidas melancólicas que me fizeram lembrar bandas como “Stars” e “The XX”. Aliás
a voz do SILVA aparece bem mais tranquila do que antes.
“Vista pro Mar” é para ouvir com fone de ouvido. Só assim você
vai conseguir sentir o que eu senti. As músicas são tão caprichadas, tão
musicalmente saborosas, que é praticamente impossível não se sentir inspirado.
Gosto quando um cantor ou banda consegue provocar isso. É aquele tipo de música
que faz você sentir uma vibe diferente da vida. É um trabalho para se deixar
levar, flutuar nas letras e na brincadeira de todos os elementos que o SILVA resolveu
colocar em cada música.
É aqueles álbuns que você escuta depois de um dia atribulado.
Quando você chega em casa após enfrentar o transito caótico da cidade, as
pessoas mal educadas e duvidar que exista felicidade no mundo. Você toma aquele
banho maravilhoso, deita na cama, coloca os fones, fecha os olhos e deixa a
música curar o seu dia. Abra as janelas e deixe a brisa entrar e tocar seu
rosto. É uma experiência e tanto que você precisa experimentar.
Que bom que o Brasil ainda faz música boa. Que bom que ainda
temos músicos como o SILVA que sabem que enfiar trocentas palavras que não
fazem sentido algum na língua portuguesa (o que raios é lepo lepo?) não é fazer
música. Música é para curar suas feriadas, é para te transportar para aquele
lugarzinho que é só você e seus pensamentos.
Em tempo: temos uma deliciosa parceria com a Fernanda Takai
que mexeu comigo de uma maneira incrível. Faça um bem a si mesmo e ouça esse
álbum do SILVA.
Nota: 5,0 de 5,0

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