Faz muito tempo que não me sinto empolgado assistindo a um suspense policial. Na verdade desde “Seven”, o gênero anda completamente refém do clichê. Parece que o mesmo roteiro é reescrito inúmeras vezes modificando apenas o nome dos personagens, a localização e alguns detalhes da trama, mas no fim das contas, é tudo bastante parecido. Alguns servem como entretenimento, outros fazem você duvidar do seu amor por cinema.

Quando passou no Festival de Toronto ano passado, “Os Suspeitos” do diretor canadense Denis Villeneuve, foi aclamado por público e crítica que o apontaram como um forte candidato ao Oscar. Bom, o filme acabou indicado apenas em Fotografia (que foi muito bem pensada por Roger A. Deakins) e passou batido pelos cinemas. Existem fatores que levaram a esse fiasco: a extensa duração de 2h30min, uma trama que já foi vista inúmeras vezes e um roteiro com um final nada interessante. Mas isso não quer dizer que tudo está perdido. “Os Suspeitos” não é original, mas se encaixa naquele grupo de “clichês policiais que ao menos entretém o espectador”.
O diretor Villeneuve mostrou que tem uma mão muito talentosa para suspense. Soube ponderar os momentos de tensão e prende de forma satisfatória o espectador que se sente verdadeiramente incomodado com a situação. Ele brinca com os sentimentos e nos faz transpassar de aflição para expectativa, de raiva para decepção em questão de segundos. O elenco conta com boas atuações de Hugh Jackman (que esteve melhor em outros momentos), Maria Belo, Terrence Howard, Melissa Leo, Viola Davis e Paul Dano.
Agora vamos ao que o longa tem de ruim: a história. É aquilo, você já assistiu a esse filme antes. Durante todo o tempo eu fiquei lembrando de “Sobre Meninos e Lobos” do Clint Eastwood que segue o mesmo dilema, só que bem mais original e interessante. Aqui, duas famílias vizinhas de Boston vivem suas vidas pacatas e aparentemente felizes. Durante a comemoração de Ação de Graças, a filha caçula de cada uma das famílias desaparece. O suspeito é um garoto com problemas mentais (Paul Dano) que foi visto em um trailer próximo a residência. A polícia é acionada e entra em cena um agente carrancudo (Jake Gyllenhaall que consegue se destacar dos demais por não ter expressão alguma e entregar uma atuação bem medíocre), que interroga o garoto, mas acaba o dispensando por falta de provas. Keller Dover (Hugh Jackman), resolve fazer justiça com as próprias mãos e sequestra o rapaz, colocando-o sob inúmeras torturas para fazer com que este confesse o crime. Mas a investigação acaba levando os personagens para caminhos extremos. A grande questão do roteiro é: até onde você iria para salvar a vida da sua filha? Sim! Você já ouviu essa perguntando várias outras vezes.
Felizmente, como já foi dito, o diretor soube trabalhar com o pouco que tinha e construiu uma trama que faz o espectador prender a respiração. Contudo, o final deixa a desejar e você se pergunta se o que assistiu é realmente bom ou não. Culpa dele? Não! Culpa do roteiro que não tinha que terminar com ambiguidade. Se você não sabe o que está fazendo, não se aventure. Não é como em “A Origem” que até hoje tem gente se questionando se o final foi aquele mesmo, aqui você tem a convicção de que tudo poderia ser mais bem explicado. O peso da cena final também cai nas costas do ator (Gyllenhaall) que não soube dar o tom certo ao personagem e fazer o espectador tirar suas próprias conclusões. Funciona como entretenimento durante boa parte, mas peca no desfecho que deixa o espectador frustrado.
Nota: 3,0 de 5,0

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