O segundo álbum é uma tarefa realmente intensa na vida de uma banda. Principalmente se o trabalho de debute for badalado e elogiado pela crítica e pelo público. Se a banda conseguir atingir certo nível de status, podemos dobrar o peso do sucessor. Nem todo mundo consegue aguentar a pressão do segundo álbum, alguns fazem algo mediano, outros simplesmente não vingam. Mas em certos momentos dá certo. Felizmente o Foster The People se encaixa no último grupo.
Certa vez li uma entrevista com o Mark Foster onde ele comentava o sucesso absoluto do single de estreia do grupo, a badalada Pumped Up Kicks, “eu criei um monstro”, disse. O fato é que em 2011 sua vida mudou completamente devido ao hit que vendeu sozinho mais ou menos 5 milhões de cópias apenas nos EUA.
Agora com 30 anos nas costas, e uma bagagem musical bem maior, o grupo resolveu mostrar que tem talento o suficiente para se desligar completamente da marca agitada do álbum de estreia e apresentar algo bem mais ousado, consistente e impressionante. O lead single, “Coming of Age”, já dava um aperitivo do que o trio estava preparando, brincava com elementos de synth, uma batida bem diferente e um recado: “nós crescemos”. Quem espera por ouvir faixas dançantes vai se surpreender ao dar play no “Supermodel” e encontrar um Foster The People mais maduro, que não teve medo de expandir seu som para outras vibes.
É muito curioso analisar todos os elementos utilizados pelo Foster na concepção deste trabalho. Músicas como“Nevermind” que puxam uma vibe meio Bossa Nova e um vocal mais firme, ou então a divertida “Pseudologia Fantastica” que traz guitarras mais psicodélicas, um baixo matador que não precisa brigar por atenção com o sintetizador, já que tudo se encaixa perfeitamente.
“Best Friend” é talvez a música que mais se aproxima do “Torches”. Mesmo assim é notória a vontade de fazer algo mais interessante aos ouvidos, então ganham destaques um baixo, falsetes bem Bee Gees e guitarras que puxam um pouco para a Soul Music.
É interessante observar que “Supermodel” fala do início ao fim sobre as situações das quais o grupo passa durante os anos que vivem na badalada Los Angeles. Desde sua beleza, até aquela sensação extrema de vazio que faz você se questionar se está fazendo as coisas certas. É um trabalho que poderia sonorizar um álbum de fotografias, repletas de memórias profundas e que são compostas por faixas que usam e abusam de uma vibe retro, pesada e surpreendentemente deliciosa de acompanhar. Uma surpresa e tanto.
Nota: 4,0 de 5,0

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