quarta-feira, 19 de março de 2014

A Perfect Contradiction - Paloma Faith

Antes começar a rasgar seda para esse novo álbum da Paloma Faith, preciso contar como conheci a ruiva. Foi no Orkut. Sim, faz um tempão (mesmo ainda achando um absurdo considerar 2008 um passado longínquo, foi tipo, semana passada), eu estava na comunidade da Joss Stone e alguém, em algum fórum, fez uma comparação entre a Joscelyna e a Palomão. Fiquei curioso para saber quem era essa perigosa na noite e pesquisei no Youtube. A primeira música que apareceu foi “New York”. Com uma voz forte, rasgada, bem Soul, adorei tudo no clipe e na música. Resolvi baixar o álbum de estreia dela chamado “Do you Want the Truth or Something Beautiful?” que tem dez músicas ungidas e cheia de poder.


Em 2012 ela lançou o segundo álbum chamado “Fall To Grace” com um lead singer que de tão maravilhoso fazia você sair do próprio corpo.


Agora Palomão chegou com um trabalho novo sambando na cara do recalque e mostrando que ela poderosíssima, fina e awesome. Intitulado de “A Perfect Contradiction” é só tiro, porrada e bomba de música boa atrás da outra.

Já começa com “Can’t Rely on You” que te convida a fazer a cara das inimigas de Sapucaí e sair sambando.



E vem “Mouth to Mouth” que é daquelas músicas que pedem palminhas no refrão, saca?


“Take Me” é uma vibe bem mais new Soul, com muito metal, muito jogo de guitarra, muito piano e uma batida que exige um dress code com Black Power bem tratado, daqueles que tem pente embutido e tudo mais.

Agora antes de ouvir a próxima música você precisa ter uma coisa na cabeça: uma carruagem de fogo descerá dos céus e te levará ao paraíso. “Only Love Can Hurt Like This” não é apenas uma música maravilhosa sobre dor de corno, é um tapa na cara da sociedade de tão poderosa. Com uma vibe que soaria perfeita para a falecida e saudosa Amy Winehouse, bem blues, a música tem uma levada mais sombria e a Palomety mostra que comeu o pão que o diabo amassou com esse trem chamado amor. Ela pode ter ficado triste, mas a gente pula de alegria com essa música que é puro louvor aos ouvidos. Já virou hino.

Aí você me pergunta: menino, mas depois disso o álbum consegue continuar bom? Graças a Deus, Todo Poderoso, Criador dos céus e da Terra, fica cada vez melhor. “Other Woman” te lembra os bons hits de cantores como Ray Poder Charles. O refrão tem aquelas backing vocals com permanente, calça boca de sino e que fazem passinhos com as mãos, sabe? Ah! Sem contar que a letra é uma fossa sem fim.

“Taste My Own Tears”, quem nunca? “And its make me crazy, cause I can’t stop thinkig of you”, clama Palominha. Quem nunca? (2) Essa música fala sobre aquele momento que você termina um relacionamento e não consegue tirar o encosto da sua cabeça. Você bebe, pega geral, passa o rodo mesmo, acorda na cama de estranhos, mas nada adianta, você continua pensando no filho de uma égua que te tratou como um lixo. E o que você faz? Chora! Até sentir o gosto das próprias lágrimas. Ai que loucura! Fiz isso ainda semana passada. Risos.


Mas depois de sofrer você vem com “Trouble With My Baby” que também é uma depressão sem fim, mas tem um ritmo frenético que faz você dançar em torno da própria sombra.

“The Bigger You Love” é a mais baladinha do álbum. Também é de fossa. Gente, quem será que partiu o coração da Paloma de maneira tão brutal assim? “Quanto mais você ama, mais você cai”, que isso colega? Vamos conversar, chega mais.

“Impossible Heart” fala sobre mim. Risos. “I fall in love to easily”, diz a Paloma no começo da música. No momento que ouvi isso eu pensei: SOU EU! SOU EU!!! EU AQUI!!! “My damn impossible heart, won’t save me, I can’t change”: SIM SOU EU! PARA DE CONTAR MINHA HISTÓRIA NA MÚSICA MENINA! Que absurdo, vejam só vocês! Tirando o fato de ela contar minha vida em uma música, a batida é maravilhosa, bem Donna Summer.  

Agora se liguem no nome da próxima música: “Love Only Leaves You Lonely”. Vem gente, preciso de um abraço em grupo. O que dizer sobre essa música que fala tanto sobre a vida? “Love, Just left me lonely. And I ain’t got nobody, to call my own”, tá? A verdade dita na sua cara. Essa é o tipo de música que você fecha os olhos, abraça o ursinho e chora no cantinho da cama bem encolhido. Depois se levanta, encosta na parede e chora escorrendo bem lentamente. Daí você deita no chão em posição fetal e chora mais um pouco. Aí levanta e sai vazada, jogando o cabelo, porque você não é obrigada que as inimigas vejam sua tristeza por falta de sorte com o amor. Vem amigue, eu te entendo.



Depois que você chorou toda a sua vida na música anterior, o álbum termina com “It’s the Not Knowing”, que é tipo: “ah foda-se, cansei de sofrer por você, quer ir pegar outra pessoa vá, isso não é o que dói mais”. E ai você fala isso na cara do bofe ou da bofa, grita na cara dele(a) e vai embora pro bar paquerar porque minha gente, a vida é mais que sofrer por alguém, né?


Quando o álbum acaba você ouve de novo. Deus abençoe cantoras como a Paloma Faith <3



Nota: 5 de 5

Piece of Me - Britney Spears



Em 2011 eu fui ao show da The Femme Fatale Tour no Anhembi e saí de lá completamente decepcionado com o que vi. Uma Britney apagada, presa a coreografias elaboradas demais, sem vontade alguma de estar no palco e transparecendo um sentimento de “estou apenas cumprindo agenda”. Por mais que exista um amor muito grande em mim por ela, achei uma das coisas mais sem sal que eu já vira na vida.

No ano seguinte ela apareceu na bancada do The X Factor USA como jurada, o que rendeu uma boa audiência ao programa e uma gigantesca quantidade de gifs para nós. Ainda em 2012 começaram a rolar boatos de que ela fixaria residência em Vegas por dois anos. Uma notícia que dividiu opiniões: uns acharam interessante, outros falaram que ela havia jogado a toalha. Lembro que na época, preferi não opinar.

Em 2013 veio a confirmação! Britney realmente assinara um contrato de dois anos para uma residência fixa no Planet Hollywood em Las Vegas. Estava dada a largada para a estreia que aconteceria no final de dezembro daquele mesmo ano.

No decorrer do preparativo, vimos Britney dando o máximo de si para o grande dia. Fez aulas de dança, malhou, fez dieta, emagreceu e se empenhou. Muito. Estava visível que ela tinha vontade de mostrar que ainda existia potencial em sua carreira e que não tinha ganhado o título de “princesa do pop” sem motivo.

A residência levou o nome de “Piece of Me” (título de um de seus maiores sucessos), contou com 24 hits enfileirados e eu vou contar para vocês o que eu achei desse retorno da musa aos palcos.

Antes de começar gostaria de dizer que continuo não entendendo a falta de apoio de alguns fãs. O “Piece of Me” é um show de puro entretenimento, no melhor estilo Vegas, com muitos efeitos, muitas trocas de cenários, muitas trocas de roupa, muita dança e muito playback. Como disse: Las Vegas Style total. Se você pagaria para assistir a um show bafônico de uma Drag Queen dublando grandes sucessos da Disco Music, porque é que não pagaria para ver Britney Spears fazer o mesmo? E o melhor: com sucessos do pop que ela mesma fez. É genial.

Tudo começa com um vídeo mostrando vários momentos da carreira da Britney, desde “...Baby One More Time”, passando pela apresentação com o Aerosmith no SuperBowl, a inesquecível performance ao lado de Madonna e Christina Aguilera no VMA de 2003 e imagens da última tour “The Femme Fatale”.

As cortinas se abrem e... “Oh! O que é aquilo? A nave da Xuxa?” Não! É a Britney descendo dos céus dentro de um globo dourado. Quando aterrissa no palco, sai da grande bola e faz o que todo mundo achou que ela não sabia fazer mais: dança. E dança MUITO. Ela reproduz ao vivo a coreografia que vimos no clipe de “Work Bitch” anteriormente. Com uma roupa que remete ao clipe de “Toxic” cheia de pequenos brilhantes por todo o corpo e um perucão que faria inveja as Drags de RuPaul’s Drag Race, ela mostra que toda a preparação não foi a toa. E a gente vibra com isso!

A segunda música é Womanizer. Acho a música maravilhosa, icônica, mas parece que a Britney nunca vai acertar a performance dela ao vivo. Andando de um para o outro do palco e fazendo poucos movimentos com os braços a música funciona pra fazer dançar enquanto ela percorre todo o espaço do palco.

Pausa para falar com o público. Um diálogo ensaiado que possivelmente é repetido em todas as apresentações (assim como todas as divas pop o fazem). Uma barra de ferro entra no palco e é a hora de “3”. Britney se junta aos dançarinos para repetir a coreografia feita no clipe. E faz tudo igualzinho e com uma felicidade que há tempo não víamos em seu rosto. Dá gosto de ver. Principalmente quem a acompanha desde o início da carreira e sabe de todas as dificuldades que enfrentou.

Um breve interlúdio com um vídeo onde Britney aparece toda de branco sob a neve, fazendo alusão a rainha de gelo (isso mesmo a Elsa maravilhosa), o telão se abre e Britney aparece pendurada em um cabo de aço com duas asas gigantescas e uma roupa branca. É a hora da baladinha “Everytime”. E então uma chuva de papel picado cai na plateia para dar a impressão de que está nevando dentro do teatro. Britney desce aos poucos e os bailarinos a cobrem com panos pretos. A música fica mais densa e Britney surge no palco com uma peruca preta Chanel e uma roupa bem “Chicago” para cantar “... Baby One More Time”.

E Britney dança de novo. E nossos olhos brilham. E a gente vibra.  Efeitos especiais avisam que é a vez de “Oops... I Did It Again”. Que ganhou nova roupagem. Que ficou tão maravilhosa quanto a original e a performance é sensacional. Talvez a única com uma coreografia de verdade (ela nunca executou a coreografia original em nenhum show).

Outro vídeo de interlúdio com imagens dos clipes já feitos por Britney. Um breve passeio pela sua premiada videografia que lhe rendeu tantos prêmios da MTV.

E começa o melhor bloco do show: “Me Against The Music” abre. Confesso que fiquei apreensivo quando soube que essa música seria apresentada. Se Britney não andava com tanta vontade de dançar, não iria executar a coreografia mais ungida do pop. Felizmente eu estava equivocado. Os passos originais estavam lá. Não com a mesma velocidade, mas com a mesma vontade.

O trio seguinte é de matar: “Gimme More”, “Break The Ice” e “Piece of Me”. Aliás, foi a primeira vez que “Break The Ice” foi apresentada ao vivo em algum show. Tudo com muita dança e muita sensualidade.

Will I.Am aparece no telão para um interlúdio ao som de “Scream & Shout”, enquanto os bailarinos correm em uma espécie de roda para roedores. Britney aparece usando um maiô com cores neon que brilham sob a luz negra que toma conta do palco. É a vez de “Boys” em mais um remix. Já perdi a conta de quantas vezes essa música foi alterada para as turnês. Acho que ninguém mais se lembra de como ela é originalmente.

“Perfume”, segundo single do “Britney Jean” é talvez a grande cagada da apresentação toda. Tudo bem que a Britney usa playback nas músicas agitadas, mas já que ela resolveu ficar sentadinha na escada para cantar a baladinha feita pela Sia, que tal arriscar um live? Não é pedir muito. Mas enfim, a música serve pra você pegar uma água se recuperar dos blocos anteriores.

Um novo interlúdio, agora ao vivo, com os bailarinos dançando ao som de “Get Naked”. Britney aparece sentada em uma cadeira de formato duvidoso para apresentar “I’m a slave 4 U”. Essa sem dúvida alguma é a minha música favorita, mas desde a “Onyx Hotel Tour” ela já poderia ter saído do set list. Cada vez fica mais sem graça. Por mais que tenha tentado fazer algo mais sexy, a performance ficou tão chata que eu me perguntei qual era o sentido de ela existir. Brit, a gente te ama, mas se você não vai dançar “Slave” dá lugar para outra música, tá?

Para apresentar “Freakshow”, Britney chama alguém da plateia para “ajudar”. Algo que virou moda entre as divas pop ultimamente (quem se lembra da Katy Perry chamando o Julio ao palco do Rock in Rio?). A situação é um pouco ridícula, diga-se de passagem. O fã que sobe ao palco é vestido com algum tipo de roupa sado masoquista e vira o boy toy da Britney, que dá chicotadas na bunda, passa pelo voluntário e passeia com ele preso em uma coleira. Os americanos devem achar isso divertido. Eu achei pavoroso. Mas é “Freakshow” e a gente adora “Freakshow”. No fim o pobre coitado ganha uma camiseta da residência e um agradecimento especial da Britney que autografa a camiseta com carinho.

“Do Something” é a música seguinte. A performance inclui Britney dançando sobre várias cadeiras. É muito, muito, muito legal.

Outro interlúdio com os bailarinos apresenta “Circus”. Adoro “Circus”. Adoro o clipe, adoro a música e adoro todas as performances promocionais que ela fez na época do lançamento. Não curtia a performance da “Circus Tour”, mas nada que comprometesse meu amor pela música. Aqui Britney enfiou uma performance maravilhosa, com uma coreografia também maravilhosa que foi facilmente para o topo das minhas apresentações favoritas de “Circus”.

Quando ouvi os primeiros acordes de “I Wanna Go” meu coração meio que deu uma parada. Em 2011 foi um fiasco sem fim, então era normal que certo medo tomasse conta de mim. Mas me enganei. Britney dança contra o reflexo dela em vários espelhos (tudo projetado, claro) e quando eu digo “dança”, não quero dizer que ela mexe os braços pra cima. Ela dança mesmo. Mexe os pés e tudo. Fiquei entretido de verdade.

Britney se senta em uma espécie de trampolim e canta “Lucky”. É lindo! Lindo de verdade! Talvez o momento mais perfeito do show inteiro. A música ganhou uma roupagem mais tranquila. Estrelinhas são projetadas no telão enquanto Britney pede para o público balançar os braços pra cima no refrão. Já disse que é lindo?



Depois de toda a emoção o show poderia acabar ali. Mas uma árvore gigantesca entre no palco com Britney em cima cantando “Toxic”, que ganhou uma versão ao piano. Ah! E chove no palco, tá? Porque a Britney não é qualquer uma. Foi engraçado ver nos vídeos dos ensaios que ela morria de medo de estar no topo da árvore e ter de pular para chegar ao chão. Todo fã sabe que ela morre de medo de altura, então imagino como deve ser um desafio a cada apresentação. Mas “Toxic” no piano não rola, né? Britney sabe disso e enquanto ela se balança no alto após pular da árvore a música volta ao ritmo normal. E ela dança, tá? A coreografia inclui até uma Britney sendo jogada no ar pelos bailarinos

“Stronger” e “You Drive Me Crazy” seguem o bloco. Britney apresenta a sua banda (sem dizer o nome de ninguém em especial) e na sequencia pede aplausos para os bailarinos.

“Eu me sinto animada! Vocês querem mais uma?”, diz Britney com a voz tremula. O mega hit “Till the World Ends” toma conta do teatro e encerra a apresentação.


Sim! “Piece of Me” é o melhor show da Britney desde seu retorno aos palcos com a “Circus Starring: Britney Spears”. Tudo foi muito bem pensado. O palco é muito bonito, os figurinos são bons, a troca de perucas dá o tom certo as situações (e ao contrário do que falaram, eu gostei BASTANTE da presença delas). Mérito especial para os coreógrafos que entenderam que a Britney não tem mais a mesma disposição feat. Não quer feat. Não é obrigada feat. Pitbull feat. Nicki Minaj para dançar do mesmo jeito que na “Onyx Hotel Tour”. E ao invés de coreografias mega elaboradas, eles optaram por algo que a deixasse extremamente a vontade. O resultado foi ela fazendo tudo bonitinho para ninguém botar defeito. Um grande retorno para a princesa do pop. Madonna ficaria orgulhosa. Eu estou. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vista pro Mar - SILVA



Quem escreve passa por momentos difíceis algumas vezes. Isso porque não é sempre que você está inspirado para sentar e deixar as palavras saírem de uma maneira lírica. Eu mesmo tenho passado por apuros para escrever resenhas musicais, não sinto que estou conseguindo passar o que eu realmente senti ao ouvir o álbum/música que me dedico a escrever sobre. E o que é uma crítica se não a declaração sincera de um coração que foi tocado por alguma obra?

Dito tudo isso eu andei refletindo e percebi que deveria deixar as coisas fluírem de maneira mais simples, exatamente como eu faço com meus demais textos. Então vamos tentar fazer tudo de maneira diferente a partir de agora. Neste momento estou aqui sentado na minha cama escutando o álbum novo do SILVA pela segunda vez e resolvi contar como está sendo essa experiência.

Antes de começar eu preciso explicar o que eu sei sobre o SILVA: ele é um cara muito talentoso do Espírito Santo que faz parte dessa nova vibe da MPB. O único álbum que eu ouvi dele até hoje foi o antecessor “Claridão”. O que eu mais curti nessa vibe das músicas que ele faz é que não segue aquele padrão da MPB (banquinho e violão). Ele coloca vários elementos de bandas que eu gosto bastante o que me faz pensar que ele está mais para “indie brasileiro” do que MPB em si.

Esse novo álbum se chama “Vista pro Mar” e soa completamente diferente do “Claridão” que era mais animado e dançante. Aqui tomou espaço as batidas melancólicas que me fizeram lembrar bandas como “Stars” e “The XX”. Aliás a voz do SILVA aparece bem mais tranquila do que antes.

“Vista pro Mar” é para ouvir com fone de ouvido. Só assim você vai conseguir sentir o que eu senti. As músicas são tão caprichadas, tão musicalmente saborosas, que é praticamente impossível não se sentir inspirado. Gosto quando um cantor ou banda consegue provocar isso. É aquele tipo de música que faz você sentir uma vibe diferente da vida. É um trabalho para se deixar levar, flutuar nas letras e na brincadeira de todos os elementos que o SILVA resolveu colocar em cada música.

É aqueles álbuns que você escuta depois de um dia atribulado. Quando você chega em casa após enfrentar o transito caótico da cidade, as pessoas mal educadas e duvidar que exista felicidade no mundo. Você toma aquele banho maravilhoso, deita na cama, coloca os fones, fecha os olhos e deixa a música curar o seu dia. Abra as janelas e deixe a brisa entrar e tocar seu rosto. É uma experiência e tanto que você precisa experimentar.

Que bom que o Brasil ainda faz música boa. Que bom que ainda temos músicos como o SILVA que sabem que enfiar trocentas palavras que não fazem sentido algum na língua portuguesa (o que raios é lepo lepo?) não é fazer música. Música é para curar suas feriadas, é para te transportar para aquele lugarzinho que é só você e seus pensamentos.


Em tempo: temos uma deliciosa parceria com a Fernanda Takai que mexeu comigo de uma maneira incrível. Faça um bem a si mesmo e ouça esse álbum do SILVA

Nota: 5,0 de 5,0

domingo, 16 de março de 2014

Os 10 filmes que você precisa assistir nos próximos meses

A partir de abril começa a tão aguardada temporada de blockbusters hollywoodianos. Eu já comecei a juntar moedinhas para acompanhar todos os filmes na telona com muita pipoca e refrigerante, mas para quem está perdidinho, resolvi fazer uma listinha com os dez filmes mais quentes que estão para chegar aos cinemas:

10º) Noé O diretor Darren Aronofksy é conhecido por realizar um cinema radical do tipo “ame ou deixe-o”. Responsável por filmes polêmicos como “Requiem para um Sonho”, “A Fonte da Vida” e o aclamado “Cisne Negro”, o cineasta (ex-marido de Rachel Weisz) resolveu se aventurar em sua primeira superprodução adaptando a clássica história bíblica sobre A Arca de Noé. Orçado em US$ 130 milhões o épico tem no elenco Russell Crowe (Uma Mente Brilhante) como Noé, Emma Watson (As Vantagens de Ser Invisível), Logan Lerman (Percy Jackson e o Ladrão de Raios), Jennifer Connelly (Pecados Íntimos) e Anthony Hopkins . A estreia no Brasil está marcada para 4 de Abril de 2014.

 )

Os Suspeitos (Prisoners, EUA, Canadá, 2013)



Faz muito tempo que não me sinto empolgado assistindo a um suspense policial. Na verdade desde “Seven”, o gênero anda completamente refém do clichê. Parece que o mesmo roteiro é reescrito inúmeras vezes modificando apenas o nome dos personagens, a localização e alguns detalhes da trama, mas no fim das contas, é tudo bastante parecido. Alguns servem como entretenimento, outros fazem você duvidar do seu amor por cinema.


Quando passou no Festival de Toronto ano passado, “Os Suspeitos” do diretor canadense Denis Villeneuve, foi aclamado por público e crítica que o apontaram como um forte candidato ao Oscar. Bom, o filme acabou indicado apenas em Fotografia (que foi muito bem pensada por Roger A. Deakins) e passou batido pelos cinemas. Existem fatores que levaram a esse fiasco: a extensa duração de 2h30min, uma trama que já foi vista inúmeras vezes e um roteiro com um final nada interessante. Mas isso não quer dizer que tudo está perdido. “Os Suspeitos” não é original, mas se encaixa naquele grupo de “clichês policiais que ao menos entretém o espectador”.

O diretor Villeneuve mostrou que tem uma mão muito talentosa para suspense. Soube ponderar os momentos de tensão e prende de forma satisfatória o espectador que se sente verdadeiramente incomodado com a situação. Ele brinca com os sentimentos e nos faz transpassar de aflição para expectativa, de raiva para decepção em questão de segundos. O elenco conta com boas atuações de Hugh Jackman (que esteve melhor em outros momentos), Maria Belo, Terrence Howard, Melissa Leo, Viola Davis e Paul Dano.

Agora vamos ao que o longa tem de ruim: a história. É aquilo, você já assistiu a esse filme antes. Durante todo o tempo eu fiquei lembrando de “Sobre Meninos e Lobos” do Clint Eastwood que segue o mesmo dilema, só que bem mais original e interessante. Aqui, duas famílias vizinhas de Boston vivem suas vidas pacatas e aparentemente felizes. Durante a comemoração de Ação de Graças, a filha caçula de cada uma das famílias desaparece. O suspeito é um garoto com problemas mentais (Paul Dano) que foi visto em um trailer próximo a residência. A polícia é acionada e entra em cena um agente carrancudo (Jake Gyllenhaall que consegue se destacar dos demais por não ter expressão alguma e entregar uma atuação bem medíocre), que interroga o garoto, mas acaba o dispensando por falta de provas. Keller Dover (Hugh Jackman), resolve fazer justiça com as próprias mãos e sequestra o rapaz, colocando-o sob inúmeras torturas para fazer com que este confesse o crime. Mas a investigação acaba levando os personagens para caminhos extremos. A grande questão do roteiro é: até onde você iria para salvar a vida da sua filha? Sim! Você já ouviu essa perguntando várias outras vezes.

Felizmente, como já foi dito, o diretor soube trabalhar com o pouco que tinha e construiu uma trama que faz o espectador prender a respiração. Contudo, o final deixa a desejar e você se pergunta se o que assistiu é realmente bom ou não. Culpa dele? Não! Culpa do roteiro que não tinha que terminar com ambiguidade. Se você não sabe o que está fazendo, não se aventure. Não é como em “A Origem” que até hoje tem gente se questionando se o final foi aquele mesmo, aqui você tem a convicção de que tudo poderia ser mais bem explicado. O peso da cena final também cai nas costas do ator (Gyllenhaall) que não soube dar o tom certo ao personagem e fazer o espectador tirar suas próprias conclusões. Funciona como entretenimento durante boa parte, mas peca no desfecho que deixa o espectador frustrado.

Nota: 3,0 de 5,0

Supermodel - Foster The People


O segundo álbum é uma tarefa realmente intensa na vida de uma banda. Principalmente se o trabalho de debute for badalado e elogiado pela crítica e pelo público. Se a banda conseguir atingir certo nível de status, podemos dobrar o peso do sucessor. Nem todo mundo consegue aguentar a pressão do segundo álbum, alguns fazem algo mediano, outros simplesmente não vingam. Mas em certos momentos dá certo. Felizmente o Foster The People se encaixa no último grupo.
Certa vez li uma entrevista com o Mark Foster onde ele comentava o sucesso absoluto do single de estreia do grupo, a badalada Pumped Up Kicks, “eu criei um monstro”, disse. O fato é que em 2011 sua vida mudou completamente devido ao hit que vendeu sozinho mais ou menos 5 milhões de cópias apenas nos EUA.
Agora com 30 anos nas costas, e uma bagagem musical bem maior, o grupo resolveu mostrar que tem talento o suficiente para se desligar completamente da marca agitada do álbum de estreia e apresentar algo bem mais ousado, consistente e impressionante. O lead single, “Coming of Age”, já dava um aperitivo do que o trio estava preparando, brincava com elementos de synth, uma batida bem diferente e um recado: “nós crescemos”. Quem espera por ouvir faixas dançantes vai se surpreender ao dar play no “Supermodel” e encontrar um Foster The People mais maduro, que não teve medo de expandir seu som para outras vibes.
É muito curioso analisar todos os elementos utilizados pelo Foster na concepção deste trabalho. Músicas como“Nevermind” que puxam uma vibe meio Bossa Nova e um vocal mais firme, ou então a divertida “Pseudologia Fantastica” que traz guitarras mais psicodélicas, um baixo matador que não precisa brigar por atenção com o sintetizador, já que tudo se encaixa perfeitamente.
“Best Friend” é talvez a música que mais se aproxima do “Torches”. Mesmo assim é notória a vontade de fazer algo mais interessante aos ouvidos, então ganham destaques um baixo, falsetes bem Bee Gees e guitarras que puxam um pouco para a Soul Music.
É interessante observar que “Supermodel” fala do início ao fim sobre as situações das quais o grupo passa durante os anos que vivem na badalada Los Angeles. Desde sua beleza, até aquela sensação extrema de vazio que faz você se questionar se está fazendo as coisas certas. É um trabalho que poderia sonorizar um álbum de fotografias, repletas de memórias profundas e que são compostas por faixas que usam e abusam de uma vibe retro, pesada e surpreendentemente deliciosa de acompanhar. Uma surpresa e tanto.

Nota: 4,0 de 5,0

"Kiss Me Once" já é um dos álbuns mais legais de 2014.

Kylie Minogue está de volta bitches!
Quatro anos após o lançamento do seu último álbum de inéditas, Aphrodite, a australiana mais querida do mundo (um beijo Nicole Kidman, conviva com essa) chega muito mais em forma (musicalmente e fisicamente) com esse delicioso “Kiss Me Once” que acabou de chegar nas nossas vidas mas eu já amo de montão.
Para ajudar na concepção desse álbum, Kylie chamou a badalada Sia Furler (também australiana e rainha) e o resultado foi um trabalho redondinho que agrada já na primeira ouvida. Claro que sempre vai ter gente fazendo bico torto, mas já dizia Susaninha Vieira:
Então vem comigo saber o que esperar dessa unção (caso você ainda não tenha ouvido):
A deliciosa “Into The Blue” abre o álbum com maestria. Kylie entra na passarela pisando em todas as concorrentes com essa que já é uma das músicas mais queridas de 2014, e olha que estamos apenas em março. O que eu mais gostei foi a mensagem de “sacode a poeira e vem pra passarela da vida desfilar todo esse poder”: When I got my back up against the wall\Don’t need no one to rescue me\’Cause I ain’t waiting up for no miracle\Tonight I’m running free\Into the blue, into the blue. Parece aquelas músicas que você ouve depois de curtir a maior depressão, ter sido mais humilhada que a Helena de “Em Família”, ter ouvido um “Me Serve, Vadia!” da Nina em “Avenida Brasil”e comido o pão que o diabo amassou. Esse é o seu momento de retornar em grande estilo e descer as escadas da vida olhando suas inimigas de cima.
Quando começou “Million Miles” achei que a Kylie tinha puxado pro indie e já estava pronto para sofrer no chão. Mas me enganei. Quando a música realmente começou já veio um batidão doido que me fez limpar o chão com a bunda. A letra fala sobre um boy magia difícil de seduzir. Você manda todos os sinais, faz amarração, bate forte o tambor, faz tic tic tic tic tic tá, e nada acontece. Quem nunca passou por isso, né amores? Você pensa em desistir, mas o boy te olha e você se sente como se estivesse a milhares de quilômetros da realidade. Já passou por isso na balada? Vem dançar com a Kylie então.
O produtor do ano Pharrell Williams deu as caras no “Kiss Me Once” com “I Was Gonna Cancel”. A música parece que foi feita para o álbum do Daft Punk, pelo simples fato de lembrar muito “Get Lucky”. A letra manda você parar de frescura na vida, levantar a bunda da cama, lavar o rosto e ir encarar o dia porque a vida é muito curta para você ficar se lamentando. Just hop out of the bed\Go ahead face the day\Who cares what you know\Don’t let that in the way (no way)\Shut out all the doubt\Just get up and go\What’s on the other side?\You will never know unless you\Go, go, go, go-oh-oh. Em outras palavras: LEVANTA DAI E VAI DESFLOPAR, BITCH! 
Tem espaço para os anos 80? Tem espaço para os anos 80. “Sexy Love” é uma música maravilhosa com uma vibe tesuda. Aqui a Kylie manda uma mensagem pro bofe: Olha você é uma delícia, tá exalando sensualidade na pista, não me culpe se eu me sentir atraída por você: So don’t blame me\For wanting you just too much\You’re sexy\And what you need’s a sexy love\All I see\Everytime I look at you\Is you are free\I just wanna be with you\Give me that sexy love.
Minha gente ainda quero descobrir quem é esse boy que deixou a Kylie tão on fire assim. A melhor parte da música é quando ela joga a cantada final: Você é tão sexy, mas seria mais sexy na minha cama. Kylie eu te amo, sabia? Vou usar essa na próxima balada. Vai que…
Se liguem no nome dessa música: “Sexercize”.
Tudo nessa música é um babado fortíssimo. Assinada pela Sia, que só poderia estar louca do pompoarismo, tem uma batida sensual, gostosa, poderosa e forte. Sem dizer independente também, afinal, uma mulher que pratica Sexercize, não pode depender de homem algum nessa vida. CAN I GET AN AMEN UP IN HERE? 
Bom, a letra… Fala de uma copulada bem dada. De uma maneira maravilhosa. Let me see you sexercize\Come on, baby (bounce, bounce)\Sexercize\Feel the burn\Sexercize\Let me see you take it down, take it down\Let me see you take it up\Let me see you bounce, bounce, bounce, bounce\Let me see you sexercize\Come on, baby (bounce, bounce). Pois é meu povo, já dizia Inês Brasil: UUUI QUE DELICIAAAAAAA!
Ah! E tem clipe! E também é um babado louco. O couro come solto! Vocês precisam assistir:



QUE LOUCURA! JÁ QUERO FAZER PILATES ASSIM AMANHÃ NA ACADEMIA!
Minha tia crente pira! Naza Tedesco não curtiu!


Depois de tanto vuco-vuco vem “Feel So Good” que é bonitinha, charmosinha e vai na direção oposta. A música fala de quando você está com a pessoa amada e tudo é azul, tudo é só love, tudo é tchugo tchugo tá cum duru:We are here to love. Own essa Kylie <3
 “If Only” é uma fofura tão grande que quase me matou: Two hearts, wanna left to be lonely, if only\True love, is waiting in the wings, if only\Two hearts, wanna left to be lonely, if only\True love, is waiting in the wings, only, if only\Only, if only. Parece que a Kylie conquistou o bofe finalmente gente. Também depois de Sexercize, quem não conquista.
“Les Sexy” é outra fofura, embora o nome e a letra tenha uma Kylie suplicando sexo pro boy: Don’t say no, boy say yes please\We could come and make love. Mas é daquelas músicas com uma vibe chique que você dança de collant e salto alto no estúdio de dança. Tipo a Madonna em “Hung Up”.
AGORA PAREM O MUNDO! Vou falar da música que eu mais gostei do álbum, que é justamente a que dá nome ao mesmo: “Kiss Me Once”. Gente eu não sei por onde começar. Sabem aqueles momentos de crise total no relacionamento, que você encontra forças das profundezas do Tártaro para tentar arrumar as coisas? Você chega na pessoa e fala: a gente vai conseguir passar por isso. Todo mundo (que já teve qualquer tipo de relacionamento) já enfrentou essa situação. Aqui a Kylie diz exatamente isso. Se liga na beleza do refrão: Me and you\Baby we made it through\Oh, me and you\We’ve got some loving to do\Oh, kiss me once\And you will watch me fall\Oh, kiss me twice\And I will give you my all. Vou destacar o final: KISS ME TWICE AND I WILL GIVE YOU MY ALL.
Em “Beautiful” a Kylie já perdeu o bofe de novo e tá na maior fossa. A música é uma parceria com o Enrique Iglesias, tem uma letra bem bonita e triste que ainda vai embalar muitos términos por aí: I just want you to know\That after all this time\You’re still the one. Eita fundo do poço. Mas quem nunca passou por isso que atire a primeira tamanca em alguma moto na BR.
Por fim, “Fine” é a Kylie dizendo: calma amiga, tudo vai dar certo, você vai ficar bem. Não tenha medo de recomeçar. Porque afinal a vida tem dessas. Você acha que encontrou aquela pessoa perfeita pra ter seu “felizes para sempre”, mas o destino te dá um golpe e te deixa na pior. E aí você chora. Você quer dançar mas fica sem vontade de socializar. Mas tudo vai ficar bem. Kylie te entende e te convida para curtir all night long com essa delicia de música, que encerra de maneira espetacular, um dos melhores álbuns pop da existência.
Quando acaba você percebe que tudo fala sobre o ciclo que vivenciamos aos nos apaixonarmos. Você começa mergulhando de cabeça no desconhecido, provavelmente acabou de sair de algum relacionamento e agora quer viver a vida. Encontra aquela pessoa que te chama atenção, investe, começa outro relacionamento, se decepciona, sofre, aceita que a vida continua e repete tudo de novo. Pois é amores, “Kiss Me Once” é um trabalho feito para todos os momentos. Não importa seu estado de espírito, você vai encontrar respostas aqui.
Sabem o que eu diria para a Kylie neste exato momento?
Obrigado por esse presente sua linda. “Kiss Me Once” ficou perfeito.

Nota: 4,0 de 5,0

Crítica: Foreverland (Foreverland, 2011, EUA)



Filmes sobre doenças são comuns em Hollywood desde sempre. Já fomos expostos a histórias sobre diversos tipos de câncer, HIV, diabetes e por aí vai. A lista é extensa e ficaríamos um bom tempo enfileirando todas as produções. Exatamente pelo fato de serem tão presentes em nossas vidas, rodar um filme sobre qualquer tipo de doença exige uma dose de sensibilidade por parte do diretor, o que faz a tarefa ser um verdadeiro campo minado: um simples passo em falso e tudo explode em cima de você, tornando aquela história que poderia ser extremamente emocionante em um dramalhão de “sessão da tarde”.

São poucos os casos que realmente deram certo sem apelar para o melodrama intenso: O Óleo de Lorenzo de 1992, Filadélfia de 1993, O Líder da Classe de 2008, Uma Prova de Amor de 2009 e o mais recente Clube de Compras Dallas são alguns dos bons exemplos que temos na cinematografia hollywoodiana. Totalmente perdido na listagem e apresentado ao público brasileiro apenas agora, Foreverland é um excelente candidato a participar desta seleta lista.


O roteiro escrito por Shawn Riopelle e Max McGuire (que assina a direção) acompanha a história do jovem Will Rankin (Max Thierriot), diagnosticado com fibrose, que viaja com a irmã de um falecido amigo até o México para encontrar um místico santuário que os antigos acreditavam ter poder de cura.
O grande acerto do filme é deixar a fibrose em segundo plano e tratar do laço criado entre Will e Hannah.

Eles nunca tiveram contato e, de repente, partem para uma jornada de carro até o México. Ela um espírito livre e ele um garoto mimado que nunca deixou a cidade. Fica claro que a intenção do diretor não era tratar sobre os sintomas da doença, mas sim mostrar a jornada libertadora de um jovem que passou a vida aguardando o último suspiro (Will visita frequentemente um agente funerário para escolher o caixão perfeito).
Com uma bela fotografia, paisagens deslumbrantes e uma trilha sonora que dita o ritmo emocional da trama de maneira certeira, Foreverland é um road-movie canadense independente que faz o espectador rir e chorar ao mesmo tempo. Com certeza vai emocionar até mesmo o mais duro dos corações.

Completam o elenco: Sarah Wayne Callies (de The Walking Dead) e Juliette Lewis (de O Cabo do Medo, Um Drink no Inferno e Álbum de Família).

)

[rating: 5]