Em 2011 eu fui ao show da The Femme Fatale Tour no Anhembi e
saí de lá completamente decepcionado com o que vi. Uma Britney apagada, presa a
coreografias elaboradas demais, sem vontade alguma de estar no palco e
transparecendo um sentimento de “estou apenas cumprindo agenda”. Por mais que
exista um amor muito grande em mim por ela, achei uma das coisas mais sem sal
que eu já vira na vida.
No ano seguinte ela apareceu na bancada do The X Factor USA
como jurada, o que rendeu uma boa audiência ao programa e uma gigantesca
quantidade de gifs para nós. Ainda em 2012 começaram a rolar boatos de que ela
fixaria residência em Vegas por dois anos. Uma notícia que dividiu opiniões:
uns acharam interessante, outros falaram que ela havia jogado a toalha. Lembro
que na época, preferi não opinar.
Em 2013 veio a confirmação! Britney realmente assinara um
contrato de dois anos para uma residência fixa no Planet Hollywood em Las
Vegas. Estava dada a largada para a estreia que aconteceria no final de
dezembro daquele mesmo ano.
No decorrer do preparativo, vimos Britney dando o máximo de
si para o grande dia. Fez aulas de dança, malhou, fez dieta, emagreceu e se
empenhou. Muito. Estava visível que ela tinha vontade de mostrar que ainda existia
potencial em sua carreira e que não tinha ganhado o título de “princesa do pop”
sem motivo.
A residência levou o nome de “Piece of Me” (título de um de
seus maiores sucessos), contou com 24 hits enfileirados e eu vou contar
para vocês o que eu achei desse retorno da musa aos palcos.
Antes de começar gostaria de dizer que continuo não
entendendo a falta de apoio de alguns fãs. O “Piece of Me” é um show de puro
entretenimento, no melhor estilo Vegas, com muitos efeitos, muitas trocas de
cenários, muitas trocas de roupa, muita dança e muito playback. Como disse: Las
Vegas Style total. Se você pagaria para assistir a um show bafônico de uma Drag
Queen dublando grandes sucessos da Disco Music, porque é que não pagaria para
ver Britney Spears fazer o mesmo? E o melhor: com sucessos do pop que ela mesma
fez. É genial.
Tudo começa com um vídeo mostrando vários momentos da
carreira da Britney, desde “...Baby One More Time”, passando pela apresentação
com o Aerosmith no SuperBowl, a inesquecível performance ao lado de Madonna e
Christina Aguilera no VMA de 2003 e imagens da última tour “The Femme Fatale”.
As cortinas se abrem e... “Oh! O que é aquilo? A nave da
Xuxa?” Não! É a Britney descendo dos céus dentro de um globo dourado. Quando
aterrissa no palco, sai da grande bola e faz o que todo mundo achou que ela não
sabia fazer mais: dança. E dança MUITO. Ela reproduz ao vivo a coreografia que
vimos no clipe de “Work Bitch” anteriormente. Com uma roupa que remete ao clipe
de “Toxic” cheia de pequenos brilhantes por todo o corpo e um perucão que faria
inveja as Drags de RuPaul’s Drag Race, ela mostra que toda a preparação não foi
a toa. E a gente vibra com isso!
A segunda música é Womanizer. Acho a música maravilhosa, icônica,
mas parece que a Britney nunca vai acertar a performance dela ao vivo. Andando
de um para o outro do palco e fazendo poucos movimentos com os braços a música
funciona pra fazer dançar enquanto ela percorre todo o espaço do palco.

Pausa para falar com o público. Um diálogo ensaiado que
possivelmente é repetido em todas as apresentações (assim como todas as divas
pop o fazem). Uma barra de ferro entra no palco e é a hora de
“3”. Britney se
junta aos dançarinos para repetir a coreografia feita no clipe. E faz tudo
igualzinho e com uma felicidade que há tempo não víamos em seu rosto. Dá gosto
de ver. Principalmente quem a acompanha desde o início da carreira e sabe de
todas as dificuldades que enfrentou.
Um breve interlúdio com um vídeo onde Britney aparece toda
de branco sob a neve, fazendo alusão a rainha de gelo (isso mesmo a Elsa
maravilhosa), o telão se abre e Britney aparece pendurada em um cabo de aço com
duas asas gigantescas e uma roupa branca. É a hora da baladinha “Everytime”. E
então uma chuva de papel picado cai na plateia para dar a impressão de que está
nevando dentro do teatro. Britney desce aos poucos e os bailarinos a cobrem com
panos pretos. A música fica mais densa e Britney surge no palco com uma peruca
preta Chanel e uma roupa bem “Chicago” para cantar “... Baby One More Time”.
E Britney dança de novo. E nossos olhos brilham. E a gente
vibra. Efeitos especiais avisam que é a
vez de “Oops... I Did It Again”. Que ganhou nova roupagem. Que ficou tão
maravilhosa quanto a original e a performance é sensacional. Talvez a única com
uma coreografia de verdade (ela nunca executou a coreografia original em nenhum
show).
Outro vídeo de interlúdio com imagens dos clipes já feitos
por Britney. Um breve passeio pela sua premiada videografia que lhe rendeu
tantos prêmios da MTV.
E começa o melhor bloco do show: “Me Against The Music”
abre. Confesso que fiquei apreensivo quando soube que essa música seria
apresentada. Se Britney não andava com tanta vontade de dançar, não iria
executar a coreografia mais ungida do pop. Felizmente eu estava equivocado. Os
passos originais estavam lá. Não com a mesma velocidade, mas com a mesma vontade.
O trio seguinte é de matar: “Gimme More”, “Break The Ice” e “Piece
of Me”. Aliás, foi a primeira vez que “Break The Ice” foi apresentada ao vivo
em algum show. Tudo com muita dança e muita sensualidade.
Will I.Am aparece no telão para um interlúdio ao som de “Scream
& Shout”, enquanto os bailarinos correm em uma espécie de roda para roedores.
Britney aparece usando um maiô com cores neon que brilham sob a luz negra que
toma conta do palco. É a vez de “Boys” em mais um remix. Já perdi a conta de
quantas vezes essa música foi alterada para as turnês. Acho que ninguém mais se
lembra de como ela é originalmente.
“Perfume”, segundo single do “Britney Jean” é talvez a
grande cagada da apresentação toda. Tudo bem que a Britney usa playback nas
músicas agitadas, mas já que ela resolveu ficar sentadinha na escada para cantar
a baladinha feita pela Sia, que tal arriscar um live? Não é pedir muito. Mas
enfim, a música serve pra você pegar uma água se recuperar dos blocos
anteriores.
Um novo interlúdio, agora ao vivo, com os bailarinos
dançando ao som de “Get Naked”. Britney aparece sentada em uma cadeira de
formato duvidoso para apresentar “I’m a slave 4 U”. Essa sem dúvida alguma é a
minha música favorita, mas desde a “Onyx Hotel Tour” ela já poderia ter saído
do set list. Cada vez fica mais sem graça. Por mais que tenha tentado fazer
algo mais sexy, a performance ficou tão chata que eu me perguntei qual era o
sentido de ela existir. Brit, a gente te ama, mas se você não vai dançar “Slave”
dá lugar para outra música, tá?
Para apresentar “Freakshow”, Britney chama alguém da plateia
para “ajudar”. Algo que virou moda entre as divas pop ultimamente (quem se
lembra da Katy Perry chamando o Julio ao palco do Rock in Rio?). A situação é
um pouco ridícula, diga-se de passagem. O fã que sobe ao palco é vestido com
algum tipo de roupa sado masoquista e vira o boy toy da Britney, que dá
chicotadas na bunda, passa pelo voluntário e passeia com ele preso em uma
coleira. Os americanos devem achar isso divertido. Eu achei pavoroso. Mas é “Freakshow”
e a gente adora “Freakshow”. No fim o pobre coitado ganha uma camiseta da
residência e um agradecimento especial da Britney que autografa a camiseta com
carinho.
“Do Something” é a música seguinte. A performance inclui
Britney dançando sobre várias cadeiras. É muito, muito, muito legal.
Outro interlúdio com os bailarinos apresenta “Circus”. Adoro
“Circus”. Adoro o clipe, adoro a música e adoro todas as performances
promocionais que ela fez na época do lançamento. Não curtia a performance da “Circus
Tour”, mas nada que comprometesse meu amor pela música. Aqui Britney enfiou uma
performance maravilhosa, com uma coreografia também maravilhosa que foi
facilmente para o topo das minhas apresentações favoritas de “Circus”.
Quando ouvi os primeiros acordes de “I Wanna Go” meu coração
meio que deu uma parada. Em 2011 foi um fiasco sem fim, então era normal que
certo medo tomasse conta de mim. Mas me enganei. Britney dança contra o reflexo
dela em vários espelhos (tudo projetado, claro) e quando eu digo “dança”, não
quero dizer que ela mexe os braços pra cima. Ela dança mesmo. Mexe os pés e tudo.
Fiquei entretido de verdade.
Britney se senta em uma espécie de trampolim e canta “Lucky”.
É lindo! Lindo de verdade! Talvez o momento mais perfeito do show inteiro. A
música ganhou uma roupagem mais tranquila. Estrelinhas são projetadas no telão
enquanto Britney pede para o público balançar os braços pra cima no refrão. Já
disse que é lindo?

Depois de toda a emoção o show poderia acabar ali. Mas uma
árvore gigantesca entre no palco com Britney em cima cantando
“Toxic”, que
ganhou uma versão ao piano. Ah! E chove no palco, tá? Porque a Britney não é
qualquer uma. Foi engraçado ver nos vídeos dos ensaios que ela morria de medo
de estar no topo da árvore e ter de pular para chegar ao chão. Todo fã sabe que
ela morre de medo de altura, então imagino como deve ser um desafio a cada
apresentação. Mas
“Toxic” no piano não rola, né? Britney sabe disso e enquanto
ela se balança no alto após pular da árvore a música volta ao ritmo normal. E
ela dança, tá? A coreografia inclui até uma Britney sendo jogada no ar pelos
bailarinos
“Stronger” e “You Drive Me Crazy” seguem o bloco. Britney apresenta
a sua banda (sem dizer o nome de ninguém em especial) e na sequencia pede
aplausos para os bailarinos.
“Eu me sinto animada! Vocês querem mais uma?”, diz Britney
com a voz tremula. O mega hit “Till the World Ends” toma conta do teatro e
encerra a apresentação.
Sim! “Piece of Me” é o melhor show da Britney desde seu
retorno aos palcos com a “Circus Starring: Britney Spears”. Tudo foi muito bem
pensado. O palco é muito bonito, os figurinos são bons, a troca de perucas dá o
tom certo as situações (e ao contrário do que falaram, eu gostei BASTANTE da
presença delas). Mérito especial para os coreógrafos que entenderam que a
Britney não tem mais a mesma disposição feat. Não quer feat. Não é obrigada
feat. Pitbull feat. Nicki Minaj para dançar do mesmo jeito que na “Onyx Hotel
Tour”. E ao invés de coreografias mega elaboradas, eles optaram por algo que a
deixasse extremamente a vontade. O resultado foi ela fazendo tudo bonitinho
para ninguém botar defeito. Um grande retorno para a princesa do pop. Madonna
ficaria orgulhosa. Eu estou.