domingo, 29 de janeiro de 2012

No Limite da Mentira

Em 1997, Bruno Barreto apresentava ao mundo o seu “O Que é Isso Companheiro?”, longa-metragem sobre um grupo de separatistas que sequestraram o embaixador norte americano no Brasil, em 1969, durante a época de ditadura militar. Em 1997 uma revelação chocante atingiu os ex-agentes do serviço secreto israelense, envolvidos em uma trama repleta de segredos e mentiras durante uma missão em 1965.

A citação do filme de Barreto não fica apenas no ano. Mas no próprio enredo base em si. Neste “No Limite da Mentira” três agentes israelenses são incumbidos de localizar e seqüestrar um criminoso nazista acusado de matar e torturar milhares de crianças judias durante o período de guerra.

O suspense de espionagem estrelado por Hellen Mirren, Tom Wilkinson e Sam Worthington remete muito ao filme brasileiro por ter grande parte de sua ação passada dentro de um apartamento, sujo e caindo aos pedaços, durante o período de prisão do grande vilão Dr. Vogel. Contudo, a diferença se dá justamente na presença de Vogel na trama. Interpretado com maestria pelo ator Jesper Christensen, o personagem mostra que é frio e não tem vergonha das atrocidades que cometeu durante o período de serviço ao governo Hitler. E ele jogará isso friamente na cara do trio, provocando emocionalmente cada um deles – e a nós também.

Envolvidos em um triangulo amoroso, os agentes serão colocados a prova de lealdade, sanidade e patriotismo em um desfecho de cair o queixo.



Durante toda a 1h50 de duração, Christensen rouba a cena e consegue ganhar empatia, antipatia, raiva e tensão do espectador, sendo muito bem suportado pelo trio principal: Jessica Chastain, Sam Worthington e Marton Csokas. Baseado no filme “Há-Hov” de Assaf Bernstei, “No Limite da Mentira” é um filmaço, que prende a atenção do inicio ao fim, daqueles que você entra na história e torce pelos personagens. Não vai mudar a vida de ninguém, mas é um excelente entretenimento. Mais uma chance para ver o quanto Helen Mirren é fantástica!  


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Um dia te turista em São Paulo

Aproveitando que o Matheus veio para São Paulo me visitar, convoquei minha querida e amada amiga Poli para mostrar esta cidade que tanto amamos para o mineiro. Reservamos o sábado para mostrar alguns dos pontos mais procurados pelos turistas da cidade. 

Antes de tudo gostaria de salientar que o mineiro, carinhosamente chamado de “pão de queijo” pela Poli, ficou vislumbrado com o metrô de São Paulo. Sim, muitos podem achar estranho, afinal, metrô não é sinônimo de bons momentos para alguns, contudo, em Belo Horizonte existe apenas uma linha que liga nada a lugar nenhum. E como o sistema metroviário de São Paulo tem fama de ser um dos melhores do mundo, era de se esperar que um turista ficasse impressionado com a quantidade de estações e linhas que abastecem a cidade – e olha que eu ainda acho precário. Enfim. O ponto de encontro foi a praça da Liberdade, uma vez que a estação Sé (estação central em São Paulo), é imensa e o risco de se perder por lá é grande.

Nos encontramos e partimos a pé para a Catedral da Sé. Quando paramos diante da catedral, o mineiro simplesmente surtou. E quem não surta, não é mesmo? A catedral da Sé é um lugar belíssimo, com influências góticas, clássica e imponente. Dentro é possível apreciar os detalhes dos vitrais e as esculturas de anjos e santos. É curiosos observar que ao invés das famosas gárgulas e anjos, as estatuas que “protegem” a construção são na verdade animais exóticos da fauna brasileira.
 

A construção da catedral se deu em 1913 pelo primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, sendo a maior igreja da cidade. Tem 111 metros de comprimento e 46 de largura. As torres laterais têm 92 metros de altura. A catedral possui ainda um gigantesco órgão, que foi construído e trazido de Milão em 1954. O órgão tem 61 teclas, uma pedaleira e 12 mil tubos sonoros. É o maior órgão de tubos do Brasil.


Uma pena que as criptas estivessem fechadas. Lá estão sepultados bispos e arcebispos da cidade, bem como outros personagens famosos da história do país. 


Depois da catedral, levamos o Matheus para conhecer as redondezas, leia-se, a famosa Praça da Sé. Com o pedido de que ele ignorasse a sujeira feita pelos muitos mendigos que se alojam no local, mostramos a ele o famoso marco zero, o lugar onde partem todas as rodovias com saída de São Paulo. Uma maneira delicada e sutil de dizer: “bem-vindo a São Paulo”. É claro que ele ficou encantado com o ponto que vai para Minas. 


Depois da Praça da Sé, os planos eram ir para a famosa Liberdade, contudo, estudante de direito quer sempre ver os prédios governamentais, então, Poli e eu o levamos para dar mais uma volta pelo centro e chegamos até o famoso Pateo do Collegio, onde tudo começou nesta cidade gigantesca.


O Pateo foi a primeira grande construção da cidade, entre os rios Tamanduateí (que o Matheus achava graça sempre que ouvia a pronuncia) e o Anhangabaú, afim de catequizar a população indígena local. Hoje as principais atrações do Pateo do Collegio são: a igreja onde se encontram restos mortais do Padre José de Anchieta, assim como vestimentas e lugares originais de oração, além do museu José de Anchieta que conta um pouco da história de São Paulo da visão dos jesuítas, e o sino do Pateo, que é muito legal de ir lá badalar. 


Depois da visita ao Pateo, finalmente fomos até a Liberdade. Famoso bairro oriental da cidade. Como eu trabalho na Liberdade, não consigo enxergá-la com os mesmos olhos deslumbrados de um turista que pisa ali pela primeira vez. Contudo, é um lugar bastante bonito, com luminárias típicas que lembram os antigos bairros chineses que víamos nos filmes. Como já estávamos cansados, demos uma paradinha no Mc Donalds. Vale ressaltar que até o Mc é caracterizado. Aos fundos, existe um jardinzinho que remete aos antigos jardins chineses. É muito legal de comer do lado de fora, quando não está chovendo, ou com um sol escaldante que faria o gelo do copo derreter.


Depois de conhecer o bairro da Liberdade, caminhamos até o Centro Cultural São Paulo, localizado na Vergueiro. Para quem nunca foi lá, o Centro Cultural é um lugar muito popular na cidade, onde as pessoas sempre vão em grupos para jogar RPG, estudar, ler, sentar-se na grama do jardim suspenso ou curtir alguma exposição, ou show, que esteja passando. A maior parte das atrações são gratuitas.

São Paulo = Avenida Paulista. E é claro que deixamos o melhor para o final. Depois de conhecer o famoso Centro Velho, levamos o Matheus para a parte mais agitada de São Paulo, a Paulista. A Paulista é um lugar que sem vergonha alguma, brinca com a arquitetura dos prédios locais. Diante de uma grande leva de pessoas que está sempre apressada, é sempre gratificante para qualquer nativo andar a avenida de ponta a ponta e observar o movimento. No fim, terminamos o passeio na Livraria Cultura. Um lugar surreal que sempre me fez sentir em casa. Quase um refugio para dias estressantes, quando eu não quero a companhia de ninguém a não ser a de um bom livro.


Tenho muitas e muitas histórias na Cultura, por isso, talvez, seja o meu lugar favorito na cidade. Depois de muito andar, a fome bateu mais uma vez e levamos o nosso convidado mineiro para o Pedaço da Pizza. Aquela pizza de chocolate é feita por deuses. Para encerrar a andança, o Matheus teve que conhecer a noite paulista na Augusta. Sempre agitada, para todos os gostos e estilos, é um lugar onde predomina o xadrez e a famosa cultura da botecagem, que ele, sendo de BH, conhece bem. Terminamos o dia dançando um pouco no Bofetada Club e então um café da manhã na Bella Paulista, parada obrigatória para qualquer fim de balada.  


Espero que ele tenha se divertido durante o passeio, eu com certeza aproveitei bastante. É muito divertido bancar o turista na sua própria cidade, você conhece lugares que antes nunca teve interesse em ver por sempre estarem ali. É engraçado como tem gente de fora nessa cidade, vira e mexe, era comum encontrar um grupo falando em inglês e tirando fotos. São Paulo pode sim, ser uma cidade turística. Faltou mostrar muitas coisas, o prédio do Banespa, o jardim botânico, o zoológico... Ele terá de voltar mais vezes, vocês não acham?