segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Sobre a descoberta da sexualidade



Sexualidade e evolução, duas palavras que curiosamente andam lado a lado. Faz um tempo que tenho pensado muito a respeito desse tema, tudo aconteceu quando simplesmente parei para refletir sobre como era encarar a sexualidade (e a descoberta dela) nos inicio dos anos 2000, e como a mesma é abordada de uns dois, três anos para cá.

Se pararmos para pensar, dois anos não é um período muito grande, mas foi o suficiente para incentivar toda uma nova geração a embarcar em uma incrível revolução sexual. Voltando no tempo, quando eu era pequeno, assuntos como sexo era um grande tabu diante da tradicional família brasileira. Ser gay era algo feio, abominável, visto com maus olhos pela sociedade (muito mais do que hoje). Portanto, compreender as mudanças pelas quais seu corpo se submetia era completamente confuso e complicado. Não dava para conversar com os pais, não existiam programas ou seriados que abordavam o assunto, o acesso à pornografia, ao sexo, a informações, não era tão fácil e acessível como atualmente. O que nos restava? Viver na confusão e, no máximo, conversar com um amigo. Pois é, eram tempos difíceis.

Se hoje é muito comum você encontrar gays assumidos em todos os lugares, quando eu tinha 12 anos, isso era algo completamente incomum. Não existiam meninos e meninas gays na escola e ninguém fazia sexo tão facilmente como hoje. Lembro que um grande momento nas rodinhas de conversa era a perda da virgindade. 90% das pessoas mentiam sobre o assunto, 8% não falavam sobre e 2% realmente faziam. Quando eu tinha 12 anos, descobrir o que seu corpo era capaz, entender os prazeres que ele poderia te proporcionar, era algo encantador, como entrar pela primeira vez em uma balada portando identidade falsa. Quando eu tinha 12 anos, o ápice da sexualidade era beijar, se você tinha 12 anos e nunca beijado era um grande bobalhão nerd. Eu dei o meu primeiro beijo com 15 anos e perdi a virgindade com 17.

Ser gay nessa época, bem nesse momento que você está descobrindo o mundo e seus hormônios estão a mil por hora, era a coisa mais complicada que alguém na flor da puberdade poderia vivenciar. Não é como hoje que se tornou algo “cool” e as pessoas encaram isso como algo normal. Em 2000 não existia xvideos ou red tube, o único acesso a gente pelada era através de revistas e filmes na vídeo locadora, fazendo com que o auge da sexualidade fossem os bons e velhos catálogos de lingeries. Pela falta de instrução e, por pura pressão da sociedade, as pessoas da minha geração se descobriram muito mais tarde. Muitos, como eu, viveram a mercê de uma realidade articulada por “valores” sociais que ditavam uma regra básica de como viver e agir. Não existia essa liberdade de expressão sexual que nos encontramos atualmente. É engraçado como em alguns anos as coisas mudam, as pessoas de certa forma evoluem, mesmo que muitas ainda tenham um pensamento arcaico. Por isso que a sexualidade e a evolução caminham de mãos dadas.

Fico feliz que crianças, pré e adolescentes consigam hoje se descobrir muito mais cedo, isso mostra que de alguma maneira, mesmo que muito lentamente, a sociedade está mudando para algo melhor. Ainda existem muitos obstáculos a serem rompidos, mas acredito que estamos no caminho certo.