terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Minha vida com Merlin: Dia 1



Comecei o ano me hospedando na casa de duas amigas, Poli e Sonia, para cuidar do gatinho delas enquanto elas viajavam pela América do Sul. Uma experiência e tanto. Eu teria de viver sozinho, sem a ajuda da minha mãe, fazer comida, compras, arrumar a casa e todas as outras coisas que eu nunca tinha me preocupado em fazer antes. Era um passo enorme para um simples filho único como eu, acostumado a ter tudo na mão. Para eu não morrer de solidão, a Gizelle resolveu embarcar nessa aventura comigo. Começava ali o primeiro dos quinze dias mais divertidos de nossas vidas.

Merlin é um gato arteiro. Sempre foi. Desde que era filhotinho. Mimado pelas donas ele é acostumado a pintar e bordar, mas se safar pelo simples fato de ser lindo.

Cheguei a casa das meninas às 19h após um dia inteiro em um churrasco de família. Não tenho absolutamente nada contra minha família, mas sabe como é, não é? Quando todo mundo se junta sempre tem aquelas perguntas que fazem você querer arrancar um braço só para ter algo para jogar neles. “E as namoradas?”, “E o trabalho?”, “mas isso dá dinheiro?”, “e ai quando vai casar?”, entre outras perguntas incrivelmente irritantes que temos de enfrentar.

Ao chegar ao local de minha nova residência descobri que a Gi iria voltar para a casa dos pais. Motivo: ela tinha médico no dia seguinte, era mais fácil ir de onde morava do que do nosso novo endereço. Me mostrou algumas recomendações deixadas pelas meninas, os bilhetes mostrando o nome das coisas e suas funcionalidades (Rádio: serve para vocês dançarem até ficarem mortos; Geladeira: serve para guardar comida; Microondas: serve para esquentar a comida, vide geladeira, aquelas tontas), e foi embora. Então era isso, logo de primeira seria Merlin e eu. Nunca tinha ficado sozinho com ele, nunca tinha tido um gato e não sabia o que fazer. Principalmente para comer. “A vida é uma aventura”, pensei.

Depois de me acomodar em meu novo quarto (o quarto que pertencia a Poli), resolvi sentar na varanda e apreciar a vista. As meninas moram no décimo quinto andar, o que rende uma paisagem e tanto, principalmente à noite. Ascendi um cigarro e fiquei ali, parado, apenas olhando. Do lado de dentro o Merlin estava deitado, vivendo a vida dele. Do lado de fora eu estava sentindo uma liberdade que jamais sentira antes. Eu podia simplesmente sair de casa e ir para qualquer lugar sem ter de dar satisfação a ninguém, apenas porque eu quis sair. Isso era maravilhoso. Principalmente se você nunca teve isso.

Após terminar meu cigarro voltei para dentro e resolvi fazer algo para comer. Eu não estava com fome, mas fiquei com vontade de me aventurar na cozinha. Para mim era algo intenso. Mas o que eu faria? Tinha de ser algo fácil. Qual a solução mais fácil que miojo? O primo mais corpulento dele: o macarrão. Como era marinheiro de primeira viagem resolvi pesquisar na internet uma receita de como cozinhar macarrão e fazer molho para não errar. Aquela era a única coisa que eu tinha para comer, tinha que dar certo.

Abri o Google e digite: como fazer macarrão?

Achei que tinha ficado muito vago. Se eu queria realmente arrebentar em meu primeiro jantar, precisava ser mais especifico. Apaguei e digitei novamente: como fazer um macarrão realmente gostoso?

Centenas de respostas vieram. Abri as primeiras e comecei a ler. A primeira era difícil demais, tinha alecrim, eu nem ao menos fazia ideia do que diabos era isso. Fechei. Abri a segunda. Mais simples, apenas macarrão, alho e óleo. O molho aparentemente era a parte mais difícil, tinha alho, cebola, tomate. Gente? Achei que era só abrir a massa de tomate e despejar na panela e mexer, mexer, mexer até ficar soltinho. A terceira receita não fazia o menor sentido então foquei na segunda.

Fui até a sala para verificar se o Merlin estava bem. Ele acabara de acordar do seu milésimo cochilo do dia e resolveu trançar minhas pernas. Não entendia nada de gato, aquilo deveria significar que ele gostava da minha presença ali. Abaixei e comecei a brincar com ele. Depois da minha tarefa de dar carinho 100% concluída, peguei um dos CDs das meninas e coloquei para sonorizar esse meu momento adulto. Sonia e Poli são iguais a mim no quesito “gastar todo o dinheiro em livros, CDs e DVDs”, eram muitos, demorei uns dez minutos para decidir o que ouvir. Por fim desisti e liguei meu celular no rádio. Coloquei o álbum de uma banda chamada CHVRCHES (lê-se: Churches), dei uma boa suspirada e fui para a cozinha.

Abri a geladeira e peguei uma garrafa de vinho branco que estava aberta. Sempre tinha visto nos filmes que as pessoas que moravam sozinhas cozinhavam com uma taça de vinho ao lado. Claro que eu tinha de experimentar aquilo. Taça na mão, trilha sonora rolando, gato deitado nos meus pés, hora de colocar as mãos na massa.

Coloquei o notebook na bancada para ter fácil acesso à receita e comecei o trabalho: primeiro enchi a panela de água e coloquei no fogo. A receita dizia para deixar a água esquentando por 2 minutos e depois despejar óleo. O ruim de não estar na sua própria cozinha é que você não sabe onde as coisas estão. Eu, muito esperto, esqueci de procurar tudo o que eu precisaria antes de começar, o que tornou a busca pelo óleo um verdadeiro game da cozinha. Merlin deveria estar cronometrando exatamente os dois minutos, já que ele ficava me olhando enquanto eu abria e fechava todas as portas. Por fim, desisti e resolvi utilizar azeite, que fora a única coisa que eu encontrara. Já tinha lido muitas matérias dizendo que azeite extra virgem fazia bem a saúde, então aquilo teria de servir e ainda me manter vivo.

Segundo passo era colocar sal na água e esperar até que ela começasse a ferver. Ok, até então tudo em ordem. Enquanto aguardava a bendita entrar em estado de ebulição peguei as coisas para preparar o molho. De maneira alguma eu iria picar alho, cebola e tomate para fazer um simples molho. Peguei a panela, coloquei manteiga para não grudar no fundo (isso era o único truque de cozinha que eu sabia) e despejei a massa de tomate. Peguei uma colher e comecei a mexer. Meu azar foi não encontrar uma colher de madeira, me fazendo retirá-la de tempos em tempos para evitar que eu queimasse a mão. Quando a água começou a ferver peguei o macarrão e despejei todo dentro da panela. Peguei uma colher de cabo maior e comecei a mexer. Mexi... Mexi... Mexi... Mexi. A receita dizia que estaria pronto quando ficasse “AL dente”. Assim que bati o olho nessa parte olhei para o Merlin e exclamei:

“QUE PORRA É ALL DENTE MERLIN?”, ele olhou para mim e soltou um “rraaaau”, como quem diz: “se você que está cozinhando não sabe, o que dirá eu que sou apenas um gato. Se vira humano!”. Perfeito! Meu sous chef era tão inexperiente na cozinha quanto eu. Fiquei olhando para a massa até parecer mais ou menos mole o bastante para ingerir. Ao mesmo tempo tinha de ficar de olho no molho para que não passasse do ponto. Gente? Como as pessoas faziam isso parecer tão fácil?

Peguei a taça de vinho, dei um gole intenso e a enchi novamente. Depois que a massa parecia estar com uma aparência comestível, desliguei o fogo de ambas as panelas. Agora eu precisava escorrer. Mas, onde estava o escorredor? Lá vai eu procurar pelo escorredor em todas as portas possíveis da cozinha. Abri uma: “não”. Abri outra: “não”. Abri mais uma: “não”. Droga! Como eu iria escorrer a água da panela sem me queimar? Tive de ir na raça. Peguei o Merlin e o coloquei na sala, para que não respingasse água quente nele. O que não adiantou de nada, já que ele provavelmente achou que era algum tipo de brincadeira e dois segundos após eu o deixar são e salvo na sala, ele estava roçando no meu pé novamente. “PORQUE MERLIN?”.

A tarefa seria mais difícil do que eu pensei. Tinha de virar a panela lentamente dentro da pia a ponto de que o macarrão ficasse intacto e apenas a água fosse embora. Ah! Mas eu precisava tomar cuidado para não me queimar, não desperdiçar comida e não derrubar no Merlin. Logo, colocaram um simples macarrão no level hard. Dei um gole no vinho, peguei um pano para não queimar a mão com a panela quente e comecei a virar. Fiquei tão concentrado que coloquei a língua para fora. Uma gota de suor escorria pela minha testa. Até o Merlin estava aflito naquele momento olhando para a situação atentamente. Um menor passo em falso e seriamos dois feridos nessa tarefa.

“Ok Bruno! Você está quase conseguindo, só mais um pouco”, pensava comigo. Depois de algum tempo travado. Tarefa concluída com sucesso. Água quente pia abaixo, macarrão belíssimo dentro da panela. Peguei uma vasilha idêntica a que minha mãe usava para colocar macarrão, joguei um pouco de orégano e pronto. Coloquei no prato, joguei molho em cima e parecia uma refeição perfeita. Mas a pergunta que não queria calar: estava bom?

No melhor estilo “Ana Maria Braga”, coloquei um pouco na boca e mastiguei lentamente para sentir o gosto da minha obra prima. Vouilá! Estava uma delicia. Peguei o Merlin no colo e comecei a rodar pela sala com ele em comemoração. Aquele era o melhor momento da minha vida. Eu tinha feito macarrão sem ajuda de ninguém, completamente sozinho. Me sentia tão feliz que poderia gritar na sacada. Mas achei exagero demais. Peguei a taça de vinho, sentei na sala, coloquei Friends e comecei a comer. Feliz. Não estava com fome, mas era uma comida que eu mesmo tinha feito. Comeria a panela inteira de tanta felicidade. Para alguns poderia ser apenas um macarrão. Para mim era uma vitória. Uma prova de que eu era capaz de fazer qualquer coisa. Bastava determinação. A partir daquele momento, eu tinha assinado minha liberdade.
Mais tarde, fui até a cozinha para lavar louça. Comecei a sentir um cheiro forte vindo da lavanderia. Merlin tinha acabado de batizar o chão com coco. “AAAAAAAH NÃO! PORRA GATO! ACHEI QUE ESTÁVAMOS NOS DANDO BEM, QUAL A NECESSIDADE DISSO?”, Gritei. Pentelho! Não conseguia acreditar que ele tinha feito aquilo. E o pior! Em frente ao caralho da caixa de areia. Minha vontade era esfregar a cara dele na caixa pra ele ver que era ali que tinha de fazer necessidades, não no chão. Peguei ele na mão e o coloquei na sala. Derrubei uma cadeira para evitar que viesse para a cena do crime novamente e comecei a limpar.

Como eu disse, quando você está na casa dos outros é território totalmente desconhecido, não faz a menor ideia de onde estão as coisas. Logo, eu não sabia que tinha uma pazinha para catar as necessidades do gato, então, fiz da maneira clássica. Peguei uma sacola e coloquei a mão dentro. Achei que não seria o suficiente e peguei outra sacola para garantir que, se a primeira rasgasse, a segunda estaria ali para manter minha mão longe do coco. Respirei fundo e abaixei para colher. A sensação era horrível! Mesmo com a sacola dava para sentir a quentura do negócio. Tentei não apertar demais para não amassar. Que situação! Gato maldito! Que vontade de dar três tapas na cara dele para aprender a ter dignidade.

Depois de colher o objeto do chão tive de limpar para não ficar fedendo. Joguei desinfetante, sabão em pó, alvejante, amaciante e tudo mais o que encontrei pela frente que pudesse despejar no chão. Peguei uma vassoura e esfreguei. Amaldiçoando todas as sete vidas do gato. “Bem feito por você ter apenas sete vidas e não nove”, dizia.

Pelo canto do olho eu conseguia vê-lo tentando pular pela barreira de cadeiras e desistindo algum tempo depois. Só então que me passou pela cabeça: “Ele vai aprontar alguma coisa na sala para chamar a minha atenção”. Senti vontade de chorar. Depois de limpar tudo, troquei a areia do pentelho para que não tivesse mais nenhuma desculpa para cagar no chão novamente. Retirei a barreira de cadeiras e fui até o banheiro tomar um banho. Depois de tanto trabalho eu estava suando que nem um porco. Estávamos no primeiro dia de janeiro e o calor estava impossível.

Após o banho voltei para a sala e sentei no sofá para assistir algum filme. O Merlin parecia saber que tinha aprontado, começou a se aproximar lentamente. Cada hora que eu olhava ele estava mais perto. Comecei a achar aquilo mega engraçado. Gato pentelho! Não dava para ficar bravo com ele por muito tempo. Quando eu percebi, ele estava deitado em cima do teclado do notebook que estava aberto ao meu lado no sofá. Me olhava com uma cara de desconfiado, sem saber ao certo qual seria o meu próximo movimento. Peguei ele nos braços, o apertei e fiz carinho. Ele fechou os olhos e morreu por alguns minutos. No fim das contas ele era um bom companheiro. Para uma primeira noite, havíamos tido aventuras demais. Acabei dormindo no meio do filme com ele nos braços.


Quando acordei ele estava deitado ao lado da estante dormindo. Desliguei a TV, escovei os dentes e fui para a cama. Meus dias com o Merlin seriam uma verdadeira aventura e eu precisava estar mais do que descansado.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Álbum de Família (August: Osage County, EUA, 2013)



Família é um assunto complicado. É um amontoado de gente, com personalidades diversificadas, que estão sempre prontas para meter o dedinho em qualquer assunto que lhes possa parecer conveniente. “E as namoradas?”, “mas você ganha dinheiro trabalhando com isso?”, “Você deveria perder peso” e por ai vai. Ninguém está a salvo de ser atacado quando chega aquele fatídico momento da reunião familiar.

Contudo, uma coisa é certa: por mais que não sejam perfeitos, lá no fundo você os ama e tenta sempre mostrar que está melhor do que eles enxergam. Abordar tão certeiramente esse aspecto com humor, densidade e sem grandes exageros torna este “Álbum de Família” um filme totalmente surpreendente.

O roteiro é excelente e foi escrito por Tracy Letts, que também é autor da peça que inspirou o filme, e consegue se safar do tom teatral do texto original com maestria. Claro que o elenco de peso ajuda e muito: Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Chris Cooper e Benedict Cumberbatch entregam ao espectador um verdadeiro espetáculo de atuação na tela.



Após o desaparecimento do pai Bevlery (Sam Shepard), as irmãs Bárbara, Ivy e Karen (Julia Roberts, Julianne Nicholson e Juliette Lewis) voltam para a casa da mãe (Meryl Streep) para ajudá-la a superar o acontecido. O problema é que ela é viciada em medicamentos e vêm lutando contra um câncer na boca, o que a torna uma das pessoas mais desagradáveis que você pode conhecer. Ela ataca a todos constantemente com comentários sarcásticos, principalmente a filha mais velha, Bárbara.

A partir daí somos apresentados aos dramas de todos os personagens: Bárbara está se divorciando do marido (Ewan McGregor) e tem uma filha rebelde (Abigail Breslin), mimada e que já esqueceu os limites há muito tempo. Karen está noiva de um quarentão viciado em maconha (Dermont Mulroney) cuja fidelidade é questionável. Já Ivy é a mais frágil das três. Apaixonada pelo primo de primeiro grau Charles (Cumberbatch), ela ensaia uma maneira de contar a família sobre o caso e fugir para bem longe o possível. 
No meio de tudo isso temos a empregada Johnna (interpretada pela ótima Misty Upham) que observa todo o drama da família se desenrolar de longe.



John Wells constrói a narrativa de maneira impressionante. Não é um filme rápido. A gente acompanha lentamente o drama de todos os personagens, às vezes conhecendo melhor os detalhes da história, outras vezes tentando decifrar com apenas um olhar. Poderia ser um episódio estendido da novela das nove, mas Wells consegue segurar o tom do drama na medida certa.


“Álbum de Família” é daqueles filmes que gera uma identificação do espectador em algum momento da trama. Somado as brilhantes atuações de todo o elenco (destaque absoluto para Julia Roberts que está espetacular em cena) e uma trilha sonora inquietante de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta) é um trabalho que vale o ingresso. É um típico cinema de qualidade que anda em falta nos últimos anos.

Nota: 4,5 de 5,0

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Philomena (Philomena, Reino Unido, EUA, 2013)



Na Irlanda dos anos 50, a jovem Philomena Lee engravida após uma aventura sexual com um desconhecido, sendo enviada para um convento pelo próprio pai. Ela trabalha arduamente em troca de um lugar para morar, enquanto seu filho é posto para adoção. Anos depois, no ano em que Anthony (seu filho) completaria 50 anos, ela resolve partir em busca de seu paradeiro. Através de sua filha, acaba conhecendo o jornalista Martin Sixsmith que a ajuda descobrir pistas da vida que o filho levou junto à família adotiva.

Essa é a história de “Philomena”, longa dirigido pelo sempre talentoso Stephen Frears (“A Rainha”) que está indicado em quatro categorias no Oscar deste ano: melhor filme, atriz para Judi Dench, roteiro adaptado e trilha sonora para Alexander Desplat (que compôs a belíssima trilha de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”).



O grande triunfo de “Philomena” é não optar pelo piegas e fugir do dramalhão lacrimoso. O que ganha destaque aqui é a história de amizade que se inicia entre Philomena (Dench) e Martin (Steven Coogan, que também assina o roteiro ao lado de Jed Pope). Ela é uma senhora religiosa que acredita que o pior pecado da humanidade seja sentir ódio contra o próximo a todo tempo, ele é um jornalista impaciente e incrédulo que encontra na história de Philomena uma chance de adentrar no universo literário, mas que descobre na situação uma maneira de se auto descobrir, principalmente no sentido religioso.

Inspirado no livro de Sixsmith, “The Lost Child of Philomena Lee”, é um road movie que expõe assuntos como “fé”, “perdão” e “lealdade” sempre com uma pitada certa de humor, evitando que a narrativa caia no peso dramático que envolve a história. A química entre a dupla central é primorosa e a direção de Frears é ponderada e sutil, fazendo a trama crescer na tela vagarosamente.



É um filme que você assiste com um sorriso no rosto diante de toda a determinação e ingenuidade da protagonista e do sarcasmo e ceticismo de seu parceiro.

Nota: 4,5 de 5,0

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Dark Horse – Katy Perry



Hoje foi lançado o novo clipe da nossa adorada Katy Perry: Dark Horse. Eu fiquei tão sem palavras com toda a informação que apareceu diante dos meus olhos, que eu preciso dividir isso com vocês.

Antes de mais nada, quando falamos em Katy Perry já esperamos algo divertido, essa é a característica dela desde “I Kissed a Girl”, fico feliz que até hoje não a tenha perdido, mesmo depois de outras produções “mais sérias” como “Firework”, “Part of Me” ou o recente “Unconditionally”.

Aqui em “Dark Horse” ela faz a egípcia para o recalque e transporta a história da música para o Egito Antigo. No clipe ela é a Cleópatra e ninguém ao menos se importa que ela peça para o cara chama-la de Afrodite. Estamos falando de um clipe da Katy Perry. Precisa fazer sentido?

Tudo o que estamos acostumados a ver sobre o Egito nos filmes de arqueologia, aparece no clipe com algumas modificações: o amarelo das areias, tão famoso e icônico, foi pro espaço, afinal ninguém é obrigado, dando espaço para ao colorido Katy Perry. Como já era de se esperar o rosa prevalece na maior parte do cenário.

Tem a Katy pintada de cinza com uma cobra, destruindo futuros pretendentes que não lhe agradam, de Ísis com umas asinhas bem cafoninhas, fazendo pole dance ao lado de criados com cabeça de gato (fazendo uma forte referência a adoração aos felinos), usando o Olho de Hórus como lente de aumento para verificar a veracidade de um diamante e, claro, transformando um serviçal em cachorro.

Tudo isso acontece durante os 3:44 minutos de duração do clipe dirigido Mathew Cullen (o mesmo de "Califórnia Gurls"). Enquanto todo mundo tenta mostrar mais o corpo e fazer coisas mais sérias, é um grande alívio que o mundo pop tenha artistas com a Katy Perry que querem apenas nos fazer rir. “Dark Horse” é cafona, brega e maravilhoso. Depois de “Roar” que era meio bobinho, Katy volta a boa forma aqui. 


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Aquele sobre os filmes de Boxe que eu mais gosto



Acabei de assistir “Touro Indomável” pela, sei lá, milésima vez e continuo impressionado em como esse é um dos melhores filmes sobre boxe que já fizeram na história do cinema. Tirando o fato de que sou extremamente tiete do mestre Martin Scorsese e do Robert De Niro, é um filme que você torce do começo ao fim pelo fracasso do protagonista, pelo simples fato de ele ser humano demais.

Ainda sem fôlego, resolvi listar aqui os filmes sobre o esporte que mais me marcaram até hoje:

A Luta Pela Esperança
Lançado em 2005 o filme é dirigido por Ron Howard e estrelado por Russel Crowe e Renée Zellweger. Conta a história de Jimmy Braddock, um lutador que vai a falência total durante a crise que atingiu os Estados Unidos no final dos anos 20. Ele se restabelece após anos durante a oportunidade de enfrentar um boxeador sem escrúpulos que havia matado dois oponentes em ringue. O filme é muito bem rodado, as atuações são ótimas e o drama é muito bem dosado. É uma história inspiradora.



Menina de Ouro
Esse é talvez um dos mais marcantes dos anos 2000. Dirigido por Clint Eastwood e estrelado por ele mesmo, Hilary Swank e o mestre Morgan Freeman é um verdadeiro tapa na cara sobre a eutanásia disfarçado de filme sobre boxe. A história acompanha a vida de Maggie, uma garota pobre e batalhadora com um único sonho: ser estrela de Hollywood se tornar uma grana boxeadora. Após encontrar o rigoroso treinador Dunn, ela começa sua jornada em busca da glória, contudo, um acidente em ringue a deixa tetraplégica. Sem vontade de viver ela inicia uma luta pela morte. É um drama forte. Não pense que é mais um longa sobre lutadores que deram a volta por cima. Aqui não há vitórias, não há felicidades. A mão pesada do Clint cai como luva para a densidade da história e faz o espectador adentrar na história de uma maneira tão intensa que é impossível piscar. Venceu o Oscar de Melhor Filme, Diretor (Clint Eastwood), Atriz (Hilary Swank) e Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). Vale cada minuto.



Rocky, O Lutador
Esse sempre será o top of mind de todo cinéfilo. Não adianta. “Rocky, Um Lutador” é daqueles filmes icônicos que marcaram várias gerações. A história fala sobre um boxeador sem grandes expectativas de vida que encontra uma grande chance de se tornar campeão mundial de pesos pesados. Assim, simples! Sem ninguém passando fome, sem crise financeira, sem eutanásia. Apenas um enredo que poderia passar batido por qualquer ser humano. Mas o diretor John G. Avildsen conduz a trama de uma forma tão primorosa que você se pega torcendo de verdade pela vitória do Rocky. Agora um fato que poucas pessoas sabem: O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Edição, além de ter recebido outras seis indicações incluindo de Melhor Ator para Sylvester Stallone.




P.s.: Todos os filmes da série, exceto o quinto, são espetaculares. Assista todos. Principalmente o Rocky Balboa lançado em 2006. Um filme completamente desacreditado pela crítica e pelo público, mas que surpreendeu a todos por ser uma bela homenagem ao longa original. 

P.s. 2: Estou doido para ver esse que está no cinema com o Robert De Niro e o Stallone que satiriza de maneira espetacular "Touro Indomável" e "Rocky"

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Doctor Who?



Oi pessoal, boa noite, tudo bem?

Eu sei... Eu sei... Faz muito tempo que não apareço por aqui. Sei que muitos de vocês têm cobrado e me dado várias broncas para eu não deixar o blog morrer, mas confesso que sou possuído por uma preguiça eterna em sentar diante do computador para escrever algo. Na verdade é que estou apaixonado pelo meu novo diário, tenho trabalhado nele todos os dias desse ano, alguns posts são mais agressivos, alguns são reflexivos, alguns apenas um emaranhado de desabafos, mas tem dado muito certo para manter minha sanidade em alta, principalmente nesse ano que começou cheio de altos e baixos.

O problema de manter o blog é que nem tudo o que eu escrevo pode ser postado aqui. Alguns textos realmente são uma verdadeira torta de climão, então, encontrar um tema interessante para compartilhar com as poucas pessoas que acessam esse blog é uma tarefa bastante difícil. Então, sentei aqui no computador, coloquei o último álbum da Cat Power para tocar e cá estou eu digitando um amontoado de palavras que até agora não fizeram sentido entre si.

Resolvi contar para vocês sobre uma série que comecei a assistir recentemente, mas que já virou uma das minhas favoritas: Doctor Who.


Alguns amigos já haviam me dito para assistir, mas com a falta de tempo e com o acúmulo de episódios atrasados das séries que eu já acompanho, fui forçado a adiar. Agora, como estou em casa e sem absolutamente nada para fazer, resolvi embarcar nesse universo. E posso dizer? Por que eu demorei tanto para assistir?


Ainda estou no quinto episódio da primeira temporada, mas já deu para sentir que a série é dotada de um sarcasmo e um cinismo tão infame que seria impossível eu não me apaixonar de imediato. O enredo fala sobre um alienígena que consegue viajar através do tempo, conhecido apenas como “The Doctor”. Ela vaga de lugar em lugar dentro de uma nave chamada “TARDIS” que parece uma cabine da polícia de Londres. A partir daí ele se empenha em salvar civilizações de vilões impagáveis e maravilhosos (o último episódio que eu assisti, a Terra fora invadida por ETs que só podiam invadir corpos de pessoas de peso elevado, já que eles precisavam de espaço).


A trama tem tanta influência do mestre Douglas Adams que meus olhos brilham. Christopher Eccleston interpreta o Doctor nessa primeira temporada. A série é tão espetacular que no segundo episódio, a Terra será destruída (o prazo expirou e bilhões de anos no futuro ela já não suportará o calor do Sol, meio o que já está acontecendo, SOCORRO) e para embalar o evento eles escutam uma balada tradicional do século 21: Toxic da Britney Spears. Como não amar uma série que faz tantas referências maravilhosas como essa?



Como já está na oitava temporada, é possível que eu demore um pouco mais para terminar a maratona. 
Ainda mais porque estou intercalando com Sex and the City. Mas não tenho pressa, quero curtir de maneira satisfatória cada episódio dessa minha nova paixão televisiva.