Família é um assunto complicado. É um amontoado de gente,
com personalidades diversificadas, que estão sempre prontas para meter o
dedinho em qualquer assunto que lhes possa parecer conveniente. “E as
namoradas?”, “mas você ganha dinheiro trabalhando com isso?”, “Você deveria
perder peso” e por ai vai. Ninguém está a salvo de ser atacado quando chega
aquele fatídico momento da reunião familiar.
Contudo, uma coisa é certa: por mais que não sejam
perfeitos, lá no fundo você os ama e tenta sempre mostrar que está melhor do
que eles enxergam. Abordar tão certeiramente esse aspecto com humor, densidade
e sem grandes exageros torna este “Álbum de Família” um filme totalmente
surpreendente.
O roteiro é excelente e foi escrito por Tracy Letts, que
também é autor da peça que inspirou o filme, e consegue se safar do tom teatral
do texto original com maestria. Claro que o elenco de peso ajuda e muito: Meryl
Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Chris
Cooper e Benedict Cumberbatch entregam ao espectador um verdadeiro espetáculo
de atuação na tela.
Após o desaparecimento do pai Bevlery (Sam Shepard), as
irmãs Bárbara, Ivy e Karen (Julia Roberts, Julianne Nicholson e Juliette Lewis)
voltam para a casa da mãe (Meryl Streep) para ajudá-la a superar o acontecido.
O problema é que ela é viciada em medicamentos e vêm lutando contra um câncer
na boca, o que a torna uma das pessoas mais desagradáveis que você pode conhecer.
Ela ataca a todos constantemente com comentários sarcásticos, principalmente a
filha mais velha, Bárbara.
A partir daí somos apresentados aos dramas de todos os
personagens: Bárbara está se divorciando do marido (Ewan McGregor) e tem uma filha
rebelde (Abigail Breslin), mimada e que já esqueceu os limites há muito tempo. Karen
está noiva de um quarentão viciado em maconha (Dermont Mulroney) cuja
fidelidade é questionável. Já Ivy é a mais frágil das três. Apaixonada pelo primo
de primeiro grau Charles (Cumberbatch), ela ensaia uma maneira de contar a
família sobre o caso e fugir para bem longe o possível.
No meio de tudo isso
temos a empregada Johnna (interpretada pela ótima Misty Upham) que observa todo
o drama da família se desenrolar de longe.
John Wells constrói a narrativa de maneira impressionante.
Não é um filme rápido. A gente acompanha lentamente o drama de todos os
personagens, às vezes conhecendo melhor os detalhes da história, outras vezes
tentando decifrar com apenas um olhar. Poderia ser um episódio estendido da
novela das nove, mas Wells consegue segurar o tom do drama na medida certa.
“Álbum de Família” é daqueles filmes que gera uma
identificação do espectador em algum momento da trama. Somado as brilhantes
atuações de todo o elenco (destaque absoluto para Julia Roberts que está
espetacular em cena) e uma trilha sonora inquietante de Gustavo Santaolalla
(Diários de Motocicleta) é um trabalho que vale o ingresso. É um típico cinema
de qualidade que anda em falta nos últimos anos.
Nota: 4,5 de 5,0
Nota: 4,5 de 5,0



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