domingo, 23 de fevereiro de 2014

Álbum de Família (August: Osage County, EUA, 2013)



Família é um assunto complicado. É um amontoado de gente, com personalidades diversificadas, que estão sempre prontas para meter o dedinho em qualquer assunto que lhes possa parecer conveniente. “E as namoradas?”, “mas você ganha dinheiro trabalhando com isso?”, “Você deveria perder peso” e por ai vai. Ninguém está a salvo de ser atacado quando chega aquele fatídico momento da reunião familiar.

Contudo, uma coisa é certa: por mais que não sejam perfeitos, lá no fundo você os ama e tenta sempre mostrar que está melhor do que eles enxergam. Abordar tão certeiramente esse aspecto com humor, densidade e sem grandes exageros torna este “Álbum de Família” um filme totalmente surpreendente.

O roteiro é excelente e foi escrito por Tracy Letts, que também é autor da peça que inspirou o filme, e consegue se safar do tom teatral do texto original com maestria. Claro que o elenco de peso ajuda e muito: Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Chris Cooper e Benedict Cumberbatch entregam ao espectador um verdadeiro espetáculo de atuação na tela.



Após o desaparecimento do pai Bevlery (Sam Shepard), as irmãs Bárbara, Ivy e Karen (Julia Roberts, Julianne Nicholson e Juliette Lewis) voltam para a casa da mãe (Meryl Streep) para ajudá-la a superar o acontecido. O problema é que ela é viciada em medicamentos e vêm lutando contra um câncer na boca, o que a torna uma das pessoas mais desagradáveis que você pode conhecer. Ela ataca a todos constantemente com comentários sarcásticos, principalmente a filha mais velha, Bárbara.

A partir daí somos apresentados aos dramas de todos os personagens: Bárbara está se divorciando do marido (Ewan McGregor) e tem uma filha rebelde (Abigail Breslin), mimada e que já esqueceu os limites há muito tempo. Karen está noiva de um quarentão viciado em maconha (Dermont Mulroney) cuja fidelidade é questionável. Já Ivy é a mais frágil das três. Apaixonada pelo primo de primeiro grau Charles (Cumberbatch), ela ensaia uma maneira de contar a família sobre o caso e fugir para bem longe o possível. 
No meio de tudo isso temos a empregada Johnna (interpretada pela ótima Misty Upham) que observa todo o drama da família se desenrolar de longe.



John Wells constrói a narrativa de maneira impressionante. Não é um filme rápido. A gente acompanha lentamente o drama de todos os personagens, às vezes conhecendo melhor os detalhes da história, outras vezes tentando decifrar com apenas um olhar. Poderia ser um episódio estendido da novela das nove, mas Wells consegue segurar o tom do drama na medida certa.


“Álbum de Família” é daqueles filmes que gera uma identificação do espectador em algum momento da trama. Somado as brilhantes atuações de todo o elenco (destaque absoluto para Julia Roberts que está espetacular em cena) e uma trilha sonora inquietante de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta) é um trabalho que vale o ingresso. É um típico cinema de qualidade que anda em falta nos últimos anos.

Nota: 4,5 de 5,0

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