Eis que depois de chegar quase ao fundo do poço, ela deu a volta por cima ao lançar o single “Gimme More”. A música seria seu grande retorno. Dançante, gostosa, sexy. Começa com um belo “It’s Britney, bitch”, que se tornou seu verdadeiro grito de guerra, anunciando que a Britney estava de volta. Mesmo com uma vergonhosa apresentação no VMA, ela aos poucos foi ganhando espaço no mundo fonográfico, principalmente com o êxito dos dois singles que seguiram “Piece of Me” e “Break The Ice”, a última rompendo a barreira da sensualidade e da awesomisse.
Porém, tirando os singles, o cd “Blackout” não chamou minha atenção. Eis que em 2008 ela chega com o “Circus”, que estourou com a música “Womanizer” e teve outras duas músicas de grande circulação, “Circus” e “If You Seek Amy”.Mas ainda não era a hora da loira chamar a minha atenção. Com o tempo acabei desencanando. Eis que este ano, ela aceitou o desafio de me ter de volta ao circulo dos fãs e lançou o “Femme Fatale”. Ouvir a primeira vez foi difícil, não gostei logo de cara. Muito mixado, cheio de auto-tune, mas ainda assim, muito mais digno que os dois anteriores. Abrindo com “Till The World Ends”, composta pela Ke$ha, o cd ganha força nas quatro primeiras músicas, perde total na quinta, volta a agitar em “Drop Dead Beautiful”, quase afunda com “Seal it With a Kiss” e “Big Fat Bass” com o Will.I.Am, e por ai vai até o final, até que ganha força total nas últimas quatro faixas (da edição deluxe), “Up n Down”, “He About To Lose Me”, “Selfish” e “Don’t Keep Me Waiting”, e então a Britney diz: “I’m back bitches”. E definitivamente está. Não é um cd tão gostoso quanto o “Britney”, nem tão poderoso quanto o “In The Zone...”, mas cumpre sua função em colocar a Brit de volta ao seu posto de princesinha do pop.
Dito tudo isso, lá estava eu, no dia 18 de novembro ansioso, ao lado dos meus amigos, esperando pela entrada da Srta. Spears no palco da Arena Anhembi em São Paulo. Simplesmente detesto o local, a acústica é péssima. Porém, é fácil de chegar, os banheiros são usáveis e tem mais estrutura para shows como este do que a Chácara do Jockey. Como já era esperado, o palco que veio para o Brasil não chega nem perto do palco original da tour que viajou o mundo. Uma vergonha. Já que os ingressos, que chegavam à R$ 700,00, eram o suficiente para cobrir os gastos de transporte. De qualquer forma, lá estávamos nós, felizes e animados.
22h em ponto o show começa. Um vídeo da Brit presidiária fugindo do cárcere é exibido no telão. Alguns minutinhos depois, lá vem ela, saindo de trás do telão, sobre uma plataforma, linda, com um maio branco para “cantar” “Hold It Against Me”, minha música favorita do cd. Cantei, pulei, gritei, dancei. Mas já sabia que o som estava super baixo. Em “Up n Down” só eu sabia a letra inteira, ou seja, era para estarmos ouvindo perfeitamente. Mas não foi isso que aconteceu. O som permaneceu irritantemente baixo durante todo o show, impossibilitando de ouvir muitas músicas.
Britney estava linda, como era esperado. Também como já era esperado, não estava dançando bem, já não era a mesma de antes, mas ainda assim, era a Britney. Esforçada e simpática, cumprimentou o público paulista com a mesma fala de toda a turnê: “What’s up São Paulo, how you feeling? I can’t hear yoooou...”, infelizmente nem a gente Brit. Quando começou “3” e o público resolveu cantar junto, o pouco som que saia das caixas foi reduzido a ruídos. E então, eu fiquei broxado.
A Brit seguiu com “Piece of Me” mas em “Big Fat Bass” o show praticamente morreu. Não consegui empolgar nem em “Lace & Leather” que era uma das minhas preferidas do “Circus”. Mas quando eu pensei que tudo estava perdido, a frase “It’s Britney, bitch” fez todas as 30 mil pessoas presentes surtarem. Era “Gimme More”. Mesmo remixada e toda modificada, dancei até não poder mais, e então os grandes hits começaram. “Don’t Let Me Be The Last to Know”, onde a Britney faz o famoso número do balancinho, “Boys”, “…Baby One More Time”, “S&M”, “I’m a Slave 4 U”, “I Wanna Go”, “Womanizer”, “Toxic” e “Till The World Ends”. Uma overdose de músicas, mesmo que algumas bastante modificadas, fortes o suficiente para retirar até a última gota de suor e voz deste que vos escreve.
No fim, eu estava quase satisfeito. Não tinha conseguido ouvir muita coisa devido a péssima acústica da Arena. Brit não era mais a mesma. As músicas remixadas não eram tão legais quanto as originais. Mas, o pouco que tinha acontecido, tinha sido o suficiente para me deixar semi-feliz. Talvez eu precise de mais alguns shows da diva para suprir os dez anos que esperei para estar ali. Talvez ela precise de mais algumas turnês para recuperar a boa forma. Todo mundo tem seus altos e baixos, a Brit chegou no mais baixo que conseguiu e agora começa a voltar a ativa. Nós apoiamos e esperamos ansiosos pelo próximo cd, pela próxima turnê, pelo próximo “WHAT’S UP SÃO PAULOOOO...”
Em tempo: Conheci duas pessoas maravilhosas no meio da muvuca. Giuliana e Rafa. Super perdidos e divertidos acabei assistindo a maior parte do show com eles, que me receberam super bem. Meus amigos foram empurrados para frente através de uma multidão que brotou do chão, e um dos meus amigos acabou sendo roubado! Uma vergonha Brasil! Uma vergonha!


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