sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Dez Invernos" - 35ª Mostra Internacional de Cinema


Desde que comecei a minha vida como cinéfilo assumido, sempre tive vontade de ir a Mostra Internacional de Cinema que acontece anualmente em São Paulo. A Mostra é super disputada e traz mais de 300 opções de filmes de todo o globo que ganharam prêmios cultuados no mundo cinematográfico como a Palma de Ouro em Cannes, o Leão de Ouro em Veneza ou o Urso de Ouro em Berlim (este último já presenteou o Brasil duas vezes: a primeira em 1999 com “Central do Brasil” e em 2009 com “Tropa de Elite”). Contudo, sempre tive contratempos (dinheiro, falta de companhia, super lotação das sessões, etc), mas este ano resolvi bater o pé e ir a todo custo. 

Infelizmente a programação de 2011 da mostra estava um pouco fraca, e tive uma grande dificuldade em escolher o que assistir. Desta vez a mostra culminou com o fim do meu sexto semestre da faculdade, e se você já passou por este infortúnio sabe bem do que estou falando. Para nós do curso de Publicidade são inúmeros trabalhos, relatórios, provas e projetos que exigem uma grande dose de paciência dos pobres estudantes. Mas enfim, não estou aqui para falar dos meus problemas mentais causados pela faculdade, mas sim sobre o filme que consegui ver ontem, 3 (último dia de Mostra), chamado “Dez Invernos”.

O longa é uma co-produção Itália e Rússia e conta a história de dois jovens, Camilla e Sylvestre, que no auge dos 18 anos acabam se encontrando em uma embarcação que cruza Veneza, no inverno de 1999. Camilla é super tímida e Sylvestre tenta a todo o custo chamar sua atenção – a gente se apaixona por ele bem neste momento -, mas ela finge que não vê e vai embora. Contudo, ele vai atrás dela e então a história começa. Camilla e Sylvestre atravessam dez anos de puro encontros e desencontros em busca do final feliz. Completamente apaixonados um pelo outro, enfrentam o destino que insiste em separá-los.

O filme é incrivelmente belo. O diretor Valerio Mieli, não teve pressa em contar a história e transporta o espectador para dentro da vida dos personagens da maneira mais européia possível. Sem pressa, sem correria e com detalhes de lugares belíssimos como Veneza e Moscou. Se fosse um romance de Hollywood, não seriam dez anos, mas sim dez dias, e estes seriam preenchidos com situações clichês para arrancar um suspirinho aqui e uma risadinha ali. Em “Dez Invernos” não é assim. O riso é espontâneo, os suspiros aparecem aos poucos.

A trilha sonora de Francesco De Luca e Alessandro Forti é forte, e – ao contrario do usual – se coloca a disposição do filme, apenas para exibi-lo de uma maneira mais bonita, como se fosse uma moldura. Ela é emocionante, calma e em sua maioria composta por violinos e pianos.

A fotografia de Marco Onorato nos faz enxergar as situações como se fossemos os olhos dos personagens e remete o mais melancólico e triste lado de um inverno.

Quando as luzes se acenderam eu estava encantando. Dei nota máxima ao filme. Infelizmente, quem não o conferiu o na mostra dificilmente terá uma chance de vê-lo na telona novamente. Uma pena. Um filme tão bonito seria capaz de ganhar corações até mesmo dos aficionados por blockbusters.

Em tempo: Gostaria de salientar a condição precária do cinema Unibanco Artplex. As poltronas precisam de reforma, assim como a sala em si. Durante a projeção o filme saiu de quadro e se dividiu em duas partes. Ficou assim por uns 10 minutos e a senhora da equipe que estava sentada atrás de mim, não moveu um dedo para solucionar. Não sei quanto a vocês, ou os organizadores da mostra, mas eu levo cinema a sério e se já pago caro para vê-lo, exijo que as condições no mínimo sejam satisfatórias.

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