Sexualidade e evolução, duas palavras que curiosamente andam
lado a lado. Faz um tempo que tenho pensado muito a respeito desse tema, tudo
aconteceu quando simplesmente parei para refletir sobre como era encarar a
sexualidade (e a descoberta dela) nos inicio dos anos 2000, e como a mesma é
abordada de uns dois, três anos para cá.
Se pararmos para pensar, dois anos não é um período muito
grande, mas foi o suficiente para incentivar toda uma nova geração a embarcar
em uma incrível revolução sexual. Voltando no tempo, quando eu era pequeno,
assuntos como sexo era um grande tabu diante da tradicional família brasileira.
Ser gay era algo feio, abominável, visto com maus olhos pela sociedade (muito
mais do que hoje). Portanto, compreender as mudanças pelas quais seu corpo se
submetia era completamente confuso e complicado. Não dava para conversar com os
pais, não existiam programas ou seriados que abordavam o assunto, o acesso à
pornografia, ao sexo, a informações, não era tão fácil e acessível como
atualmente. O que nos restava? Viver na confusão e, no máximo, conversar com um
amigo. Pois é, eram tempos difíceis.
Se hoje é muito comum você encontrar gays assumidos em todos
os lugares, quando eu tinha 12 anos, isso era algo completamente incomum. Não
existiam meninos e meninas gays na escola e ninguém fazia sexo tão facilmente
como hoje. Lembro que um grande momento nas rodinhas de conversa era a perda da
virgindade. 90% das pessoas mentiam sobre o assunto, 8% não falavam sobre e 2%
realmente faziam. Quando eu tinha 12 anos, descobrir o que seu corpo era capaz,
entender os prazeres que ele poderia te proporcionar, era algo encantador, como
entrar pela primeira vez em uma balada portando identidade falsa. Quando eu
tinha 12 anos, o ápice da sexualidade era beijar, se você tinha 12 anos e nunca
beijado era um grande bobalhão nerd. Eu dei o meu primeiro beijo com 15 anos e
perdi a virgindade com 17.
Ser gay nessa época, bem nesse momento que você está
descobrindo o mundo e seus hormônios estão a mil por hora, era a coisa mais
complicada que alguém na flor da puberdade poderia vivenciar. Não é como hoje
que se tornou algo “cool” e as pessoas encaram isso como algo normal. Em 2000
não existia xvideos ou red tube, o único acesso a gente pelada era através de
revistas e filmes na vídeo locadora, fazendo com que o auge da sexualidade
fossem os bons e velhos catálogos de lingeries. Pela falta de instrução e, por
pura pressão da sociedade, as pessoas da minha geração se descobriram muito
mais tarde. Muitos, como eu, viveram a mercê de uma realidade articulada por “valores”
sociais que ditavam uma regra básica de como viver e agir. Não existia essa
liberdade de expressão sexual que nos encontramos atualmente. É engraçado como
em alguns anos as coisas mudam, as pessoas de certa forma evoluem, mesmo que
muitas ainda tenham um pensamento arcaico. Por isso que a sexualidade e a
evolução caminham de mãos dadas.

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