Era uma belíssima manhã de outono. 21 de maio de 1980. No dia em que George Lucas apresentava o segundo episódio de sua saga espacial “Star Wars”, nascia Maria Alice Medina das Dores. Filha de Osvaldo das Dores e Clara Medina, uma menina saudável, de belos olhos verdes, cabelo loirinho quase imperceptível e uma pele rosadinha e fofinha.
Osvaldo, no auge de seus 33 anos, advogado formado com grande sucesso profissional, trabalhava em uma das mais respeitadas empresas de advocacia da cidade. Com expressões severas, estatura mediana e formação familiar rígida, aprendeu desde cedo o significado do esforço e do trabalho. “O trabalho edifica a alma”, dizia seu já falecido pai, Carlos das Dores.
Em setembro de 1977 conheceu a bela Clara Medina. Uma jovem de longos cabelos loiros, olhos azuis como o oceano, filha do pastor da igreja que freqüentava. Foi amor a primeira vista. Ela tímida, ele um pouco rude, logo perceberam que estavam ligados pelo sagrado laço eterno. E como o pai de Clara dizia, “o que Deus uniu, o homem não separa”, se casaram após um ano de namoro.
No inicio tiveram algumas dificuldades. Por algum tempo chegaram a ser infelizes. Muitas brigas, muitas adversidades. Mas mantiveram-se sempre fieis a Deus, e mesmo que discordassem em quase tudo, mantiveram-se fieis um ao outro. “É uma provação, iremos passar por isso juntos e Deus irá edificar nosso lar”, dizia Osvaldo. Era o final dos anos 70, uma nova década estava por vir, novas esperanças, novas perspectivas, e para a felicidade do casal, uma nova vida chegara para iluminar suas vidas.
E foi assim que nasceu a doce Maria Alice. Uma jovem afável, de beleza sem par, completamente abençoada por Deus. “Perfeita como a melodia de uma canção entoada por anjos”, dizia sua mãe.
Osvaldo que era rude, já que sua educação o formará assim, sentia como se uma chama de amor incondicional se acendesse em seu peito toda vez que tomava a filha nos braços. Já não importavam as dificuldades, ele tinha em seus braços um presente de Deus para alegrar seus dias.
Criada longe das atividades mundanas, Maria cresceu na agitada década de 80. E quando completou seis anos, foi enviada para um colégio presbiteriano. Teria oportunidades, teria uma boa formação e seria educada nas bases cristãs. Coisas que seus pais não tiveram a chance de ter.
Amada pelos professores e pelos coleguinhas, Maria era uma criança tranquila, que se limitava a fazer exatamente aquilo que esperavam dela. Aprendera desde criança que precisava se manter pura até o dia que fosse se entregar ao homem que escolheria passar o resto de sua vida.
Porem, mesmo com os esforços constantes dos pais em afastá-la das atividades pecaminosas do mundo, logo Maria descobriu Madonna que viria a se tornar sua completa devoção. Mas ela sabia que era errado, por isso fora forçada a manter seu amor pela cantora em segredo. Era 1990, e a Madonna acabara de lançar sua primeira coletânea, ‘The Immaculate Collection”. Maria sabia que Madonna não poderia ser uma enviada do demônio como sua mãe muitas vezes dissera. "Ela canta sobre ser virgem, e canta músicas sobre ouvir a voz de Deus, não é exatamente isso que estão me ensinando?”, pensava sempre que sentia raiva de sua mãe por ofender a cantora.
Porém, ao ouvir “Justify My Love” escondida de seus pais, Maria não sabia que algo estava sendo despertado em sua alma. Um desejo, uma vontade que futuramente ela jamais saberia explicar de onde viera. Era a puberdade chegando.
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